[+12] Latrone

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[+12] Latrone

Mensagem por Gabijonko em Sab 20 Fev - 10:34


Capítulo 1 - Por Que?


Ladrão. Palavra provida do latim latrone, o dicionário o descreve como furtar, trapacear, golpista, desonesto entre outros. É isso que resume o que eu sou, uma ladra de Pokemon, alguém no qual não hesita, não pensa duas vezes antes de pegar algo sem que ninguém saiba.


Nasci na pequena cidade de Twinleaf, sem nada de anormal. Moro com meu pai já que minha mãe morreu durante o meu parto. Papai é uma pessoa gentil e amorosa, não guarda rancor das pessoas que o olham torto por algum motivo que até agora não sei. Assim como eles o olham desse jeito, o mesmo é comigo. As crianças não brincam perto de mim como se tivessem nojo, mas também não sinto falta delas, afinal tenho meus Pokemon comigo.

Cresci rodeada por eles. Assim que completei seis anos, ganhei um Squirtle de meu pai, que hoje é um Wartotle, outro Pokemon que me acompanhou na idade foi o Charizard Shiny do papai, aquela cor negra dele sempre me fascinou, a raiva na qual era usada para me defender das crianças que ameaçavam me baterem, eu era apaixonada por ele. Infelizmente com o Wartotle não era a mesma coisa, ele já era mais Zen, não gostava de batalhar, por isso eu pegava escondido o Charizard de papai para detonar os Pokemon das outras crianças de minha pequena cidadezinha.

Minha casa possuía espécies de todos os tipos de Pokemon: Ryhorns, Miltanks, Bibarels entre outros. Uma coisa que sempre me fascinou era a quantidade de Pokemon raros que ele possuía, quer dizer não estou falando de Darkrai, Cresselia, não esse tipo, o que estou falando são Pokemon Fósseis. Esse possuía quatro Lileeps, dois Armaldos e um Anorith, isso só os de Houenn. Ele tinha muitos, mas o mais estranho era que se negava a me falar onde os havia conseguido, sempre dizia que ainda possuía alguns vivos e que tivera sorte de ter os encontrado, e apesar de ser verdade, duvidei que existiam tantos!


Papai sempre fora um homem gentil, pena que ele tinha uma filha tão durona como eu.

Ora gente, não vamos ser hipócritas! Quem nunca teve vontade de socar uma outra pessoa que lhe despertava um ódio tão profundo á ponto de libertar sua fera interior até então adormecida. Eu, Alice Latrone, não era uma criança que levava desaforo para casa, que fique bem claro, NUNCA apanhei em minha vida de outra pessoa e nunca pretendo apanhar.

Minha primeira briga foi quando eu tinha só seis anos, podia ser dona de um corpo magricela e aparentar ser fraquinha, mas minha força podia se igualar á de um garoto forte. Como? As brincadeiras com os Pokemon podem ser um ótimo exercício, sempre me exercitei fisicamente com uma Nidoqueen lá de casa, eu a observava lutar e assim sempre a desafiava, conseguindo obter massa muscular em uma velocidade incrível.

Naquele dia, depois de brincar com Kirlia no meio da floresta e coloca-la na Pokebola, eu estava voltando para casa completamente suja e cansada, até que aparecera Damion, o menino mais “malvado” daquela pequena cidade. Era um garoto tão perverso que não pensava duas vezes antes de bater em uma menina. O pior é que o caso era diferente comigo, aquele garoto era apaixonado por mim. Juro! Apesar de me encher o saco e ameaçar me bater, toda a manhã eu o via através da minha janela, e toda o dia ele parava e olhava para mim através dela, eu não sei qual é a dele.

Voltando para a história, ele estava na minha frente com seus outros dois amigos atrás como se fossem guarda costas. Estava ali para implicar comigo mais uma vez...

- Voltando do país das maravilhas pequena Alice? – Ele sempre fazia essa piada com um tom irônico – Talvez você deva ficar lá, assim poupa Twinleaf de ver sua cara novamente.

- Damion, por favor, hoje não ok? – Pedi sem o mínimo de paciência para gastar com aquele loiro esquisito – Volte para sua mamãezinha gorda antes que ela quebre as pernas com o próprio peso correndo atrás de você.

Como sempre ele havia ficado zangado. Regra número um para se irritar um homem: xingue ele com alguma coisa envolvendo sua mãe ou sua masculinidade, quase todos os homens detestam isso!

Vi quando ele apertou as mãos como se tentasse se controlar, mas o que veio á seguir me surpreendeu tanto que eu acho impossível esquecer aquele momento. Ele sorriu para mim de uma maneira suspeita e cruzando os braços, falou no tom mais irônico possível.

- Pelo menos minha mãe e meu pai não são ladrões de Pokemon sua esquisita!

Era isso, o menino magro, loiro que naquele dia trajava uma calça marrom com uma camiseta listrada branca e laranja havia assinado sua sentença de morte. Sem hesitar, parti para cima dele e o derrubei no chão, sentei em sua barriga enquanto pegava-o pela gola e batia sua nuca contra a terra seca e dura da pequena floresta.

- Nunca... Jamais... Insulte... Meu... Pai! – Gritava fazendo pequenas pausas para bater sua cabeça no chão, conseguia ouvir seus gemidos de dor, mas não estava ligando à mínima – Fale o que quiser de mim, mas nunca fale dele, Entendeu?

Apenas parei de machucá-lo para Damion concordar com a cabeça, assim, soltei a gola de sua camiseta lentamente e levantei meu rosto para os dois meninos que assistiram aquilo com os olhos aflorando de medo, dei meu pior olhar conseguindo faze-los saírem correndo. Encarei o loiro embaixo de mim e não me surpreendi quando o vi encarando-me como se fosse louca. Levantei-me sem dizer nada e comecei a retomar meu caminho antes interrompido, como se nada tivesse acontecido.

Aquela foi a primeira vez que briguei, é claro que existiram outras, mas aquela foi a melhor. Naquele mesmo dia vi meu pai na frente de nossa pequena casa discutindo com a policial Jenny, e a conversa não estava nada amistosa. Escondi-me em um arbusto ali perto e vi o bate boca aumentar cada vez mais.

- Já lhe avisamos senhor David, se você cometer mais um crime... – Avisava ela como se estivesse falando com um... Bandido.

- Já lhe disse que passei o dia todo em minha casa – Gritou papai com uma voz insistente.

Naquele mesmo instante dois dos Arcanines rosnaram para Papai como se estivessem o avisando, mas naquela mesma hora Charizard apareceu atrás de meu pai rosnando ainda mais alto, fazendo com que os dois cachorros ficassem assustados. Não pude conter um risinho, que logo foi ouvido por um dos cães. Ele saltou para o arbusto onde eu estava escondida e latiu e na mesma hora eu desviei antes que fosse esmagada por uma de suas enormes patas. Por pouco ele não me acertava.

- Alice! Onde você estava? – Perguntou-me enquanto eu me aproximava dele e ficava ao seu lado – Essa é minha filha, Alice.

- Muito prazer – Cumprimentou-me curta e grossa.

- Vá para dentro querida, deixe o papai cuidar desses assuntos.

Apesar de não querer abandonar meu pai naquela situação não tive escolha, subi as escadas da nossa casa e assim que entrei em meu quarto, fechei a porta. Mesmo enquanto colocava meu pijama e me deitava na cama, não conseguia parar de me preocupar com o homem na frente da porta que cuidou de mim e sempre me apoiou. Dormi aliviada quando me lembrei que Charizard estava com ele e com certeza o protegeria.

Aquele incidente não ocorreu mais até eu completar meus nove anos, mas não conseguia tirar da memória a policial falando com meu pai como se fosse um ladrão. As coisas tornaram a acontecer, mas de um jeito diferente.

No dia do meu aniversário, fui até o mercado comprar algumas coisas para preparar o jantar, queria fazer alguma coisa especial já que era meu aniversário, entrei e fui cumprimentada, havia decidido fazer um prato que aprendera na televisão. Entretanto, enquanto pegava o tempero para a carne, ouvi algumas velhas fofoqueiras ao meu lado falando.

- Foi visitado durante a noite pela policial... – Havia escutado, então comecei a prestar mais atenção – Se aquele homem já era assim no passado, imagina como sua filha vai ficar?

- Sim, um ladrão não pode deixar sua filha viver sem um treinamento de como furtar sem ser percebido.

- Vamos parar de falar nisso, odeio falar daquele homem – Sussurrou a outra e começaram a se afastar de mim – Mas você nem sabe...

Mesmo depois que elas haviam ido embora eu continuei parada com uma grande vontade de chorar. Posso me fazer de durona, mas não sou feita de ferro como todos pensam. Estava exausta das pessoas chamarem meu pai de ladrão, elas não conviviam com ele, portanto não tinham nada que falar dele. Senti uma sacudida no meu cinto para guardar Pokebolas, de lá, tirei Wartotle dele e olhei para a pequena criatura reduzida, me encarava com um olhar triste, como se me entendesse. Sorri e acaricei ele pela bola vermelha e branca, amava ele mesmo sendo um molenga.

O prendi novamente no meu cinto e paguei os ingredientes para a janta. Andava pela rua pensando no que meu pai podia ter feito de tão ruim para todos odiá-lo tanto assim? Já estava cansada deles o trata-lo assim e então me surgiu á idéia de seguir minha jornada Pokemon. Claro que nunca estive interessada naquilo, mas pensei que se ganhasse a liga Pokemon de Sinooh, todos esquecessem esse boato de meu pai ser um ladrão. Eu havia me decidido, mas o Professor Rowan nunca me daria um Pokemon já que eu ainda não havia completado dez anos. Mas aquilo não era um problema.

Antes de continuar a minha história, devo lhes dizer que eu não queria fazer aquilo, mas não tive escolha.

Quando anoiteceu e eu tinha certeza que meu pai estava dormindo, vesti uma calça de moletom preto com uma regata igualmente preta. Peguei uma bolsa que estava na moda entre as treinadoras Pokemon (uma amarela que meu pai havia me dado) e sai. Sabia que com a roupa preta quase ninguém me veria e a bolsa seria para pegar as coisas necessárias, com aquela bolsa na moda eles não pensariam em ir direto para a minha casa.

O laboratório não era muito longe de casa, mas por precaução peguei uma Rapidash de papai para corrermos mais rápido. Assim que cheguei ao laboratório peguei meu estilete e comecei a abrir a porta da frente, estava difícil, mas depois de um tempo consegui, entrando no recinto e fechando a porta atrás de mim.

Já havia visto aquele laboratório por dentro e assim sabia que o professor guardava as Pokedéx dentro de uma gaveta embaixo de onde ficavam as Pokebolas com os inicias de Sinooh.

Aproximei-me da mesa e, dentro da gaveta, notei que havia somente três das pequenas máquinas. Com certeza era meu dia de sorte! Peguei uma vermelha e abri a gaveta á esquerda daquela, tirando um Pokétch rosa e guardando tudo na mochila, também furtei 10 Pokebolas, cinco Masterballs e uma Luxuousball. Parecia que estava tudo ótimo, mas então. Notei o que tinha em cima da mesa.

Havia três Pokebolas lado a lado e abaixo de cada uma possuía uma ficha, e dentro pude ver os inicias que as crianças escolhidas pelo professor ganhariam, não demorei a perceber que Damion e sua galerinha eram as escolhidas. Senti muita pena daqueles Pokemon, mas não podia fazer nada. Ou podia?

Olhei para Chimchar e Turtwig e percebi que os olhares deles eram felizes e satisfeitos, com certeza eram bem cuidados pelo professor, mas quando olhei para Piplup me surpreendi como estava com um rosto zangado. Quando dei uma olhada em sua ficha, pude ver o nome “Damion” na parte onde dizia qual seria seu treinador. Os outros ainda não tinham nomes, então fiz o que achei certo, coloquei o nome de Alicia na ficha do Chimchar, uma menina que sorria para mim toda a vez que me encontrava e nunca falava nada de mim, e por sorte tinha dez anos. Mas ainda restava o Turtwig.

Não fui completamente sincera com vocês e, portanto vou falar a verdade. Não gosto de treinar Pokemon, é muito chato ficar esperando eles evoluírem, mas eu sabia que aquela tartaruga era uma exceção e não pensei duas vezes antes de pegar sua Pokebola e guarda-la na mochila.

Assim que cheguei em casa fiz questão de lavar a roupa que havia usado á mão, não querendo deixar nenhuma prova de que havia ido até o laboratório. Depois de estender as roupas, fui até o meu quarto e comecei á ver alguma roupa que eu gostava, me encarei no espelho preso em meu armário e pude perceber que eu com certeza era uma Latrone, vi que possuía cabelos ruivos e curtos em um tom que chegava á um laranja vivo, mas meu olhos tinham uma cor estranha, eles eram rosados e meu pai explicara que todos da família dele nasciam com cor de cabelo e olhos diferentes. Uma legítima Latrone.

Deixando aquilo de lado e voltando para minha missão, peguei um short Jeans azul escuro junto de uma camiseta branca com uma regata preta por cima, calcei um tênis vermelho e fui ver uma mochila que tinha guardada no meu guarda roupa. Coloquei um biquíni e uma toalha lá dentro e no bolso de fora organizei as Pokebolas. Quando estava pronta para ir, percebi que quase havia esquecido Wartotle.

Peguei sua Pokebola e sorri para ele como havia feito naquela manhã, um sorriso que tentava transmitir segurança e carinho, foi quando encarei Turtwig e naquela hora percebi que não podia deixá-lo ali e assim o coloquei em meu cinto junto de Wartotle, escrevi uma carta de despedida de meu pai dizendo que manteria contato com ele e assim, deixei minha pacata casa para ir em direção da liga Pokemon.

Continua...


Última edição por Gabijonko em Qua 9 Fev - 12:33, editado 1 vez(es)

Gabijonko



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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Rafael Arceus em Sab 20 Fev - 12:06

Oi Alice (gabijonko)! Que bom te ver por aqui
Bem, como sempre li sua fic, posso lhe dizer que ela é demais!
Fique por aqui e continue a postar a fic, será um prazer lê-la aqui também

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por kakashi em Sab 20 Fev - 12:17

Um membro novo no iniciativas
Parabens Gabi e continue com o seu trabalho
faça novos amigos, leia as regras do forum
e seja feliz :^D:

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por JPNIgor em Sab 20 Fev - 19:56

o/ Muito jóia, sua escrita (exceto pelo fato de você escrever Sinooh, sendo qeu é Sinnoh), e a história. No primeiro momento, não entendi bem o fato de a garota ver os Pokémons mesmo com eles recolhidos na PokéBola... Mas depois me lembrei que no mangá, isso é possível XP. Continue, gostei muito da sua história! (Histórias contadas em primeira pessoa são bons de mais!)

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por JPNIgor em Sab 1 Jan - 21:47

Tópico bloqueado até que se adeque às novas padronizações. Quando realizado, favor enviar MP. Obrigado pela atenção

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Gabijonko em Qua 9 Fev - 13:05

Como é bom voltar com essa Fanfic, confesso que senti muita saudade dela e que não me saiu da cabeça nem por um minuto.
É com muita alegria que eu volto a portar novos capítulos! Espero que gostem!

Capítulo 2 – A força de um Pokemon.



Eu já caminhava a mais de meia hora, mas tudo que via era grama, árvores e Pokemon fracos. Enquanto andava, minha mente trabalhava em arranjar um jeito de descobrir como treinar meu novo Pokemon, ele era muito conhecido pelo imenso poder de sua última evolução, mas eu teria muito trabalho em evoluí-lo e aquilo me cansava só de pensar.

Parei no meio do caminho e peguei sua Pokebola libertando-o, ele apareceu em minha frente com uma cara confusa e olhando para os dois lados como se tentasse descobrir onde estava. Encarou-me novamente e ficou assim, esperando algum comando. Gostara daquilo, ele já sabia quem era seu mestre e que devia obedecê-lo, e assim, uma idéia me passou pela cabeça.

Libertei Wartotle de sua Pokebola e ordenei.


- Wartotle escolha uma árvore e fique á dez passos de distância dela – Pedi calmamente sendo obedecida logo em seguida.

Meu velho amigo devia saber que naquela hora eu estava aprontando alguma coisa para Turtwig, já que me olhava preocupado mesmo depois de escolher a árvore. Ele sabia que eu gostava de testar a força de um Pokemon procurando os jeitos mais absurdos para fazê-los usarem toda a sua força. Virei-me para a tartaruga verde e ordenei.

- Turtwig, ainda não sei qual a sua força e se merece seguir a viagem comigo – Expliquei obtendo total atenção dele – Portanto, eis o meu teste: Terá de arrastar Wartotle até a árvore que ele escolheu com sua força.

Parecia espantado com o desafio e também meio hesitante, mas eu não podia culpá-lo. A tartaruga azul era duas vezes maior e mais pesado que ele e seria muito difícil arranjar um jeito de arrastá-la de lá, mas ele não desistiu. Caminhou confiante até o outro e empurrou sua cabeça contra a barriga dele fazendo força. Nada, Wartotle permanecera no lugar. Tentou novamente, mas não obteu resultados.

Sentei em uma pedra ali perto e comecei á assistir. Não estava fazendo aquilo por maldade ou por prazer, fazia aquilo para que Turtwig aprendesse que se ele quisesse alguma coisa, ele teria de lutar para isso, sem depender da ajuda dos outros. Não se mede a força de um Pokémon só pelos seus ataques ou por seu tamanho, mas também por sua inteligência.

O Pokemon grama caiu exausto depois de um tempo, e devo admitir que fiquei decepcionada em ver minha tartaruga azul no mesmo lugar. Turtwig levantara novamente, mas agora caminhava até outra árvore, começando á usar seu ataque Investida nela. Fiquei confusa com aquilo, afinal eu não o mandei usar Investida.

Passaram-se cinco minutos e ele continuava na mesma, batendo sua cabeça na árvore e eu começava á me irritar com aquilo. Levantei cansada daquele teatro, mas um barulho no bolso esquerdo de minha calça chamou-me a atenção. Meti minha mão nele e de lá, tirei a Pokedéx, abrindo-a e lendo o que estava escrita nela.


Novo ataque aprendido: Absorver.


Espantei-me com aquilo e fiquei admirada com meu novo Pokemon, ele não estava batendo na árvore por maluquice, estava acumulando experiência á fim de aprender um novo ataque que o deixasse em vantagem contra Wartotle. Na mesma hora, Turtwig parou seu exercício e caminhou novamente até a frente de Wartotle, seu corpo foi envolvido com uma aura verde e meu Pokemon aquático caíra de joelhos como se estivesse fraco.

Turtwig tomou distância dele e correu com toda a velocidade, batendo a cabeça novamente contra seu oponente. Wartotle foi jogado contra a árvore escolhida por ele mesmo e desmaiou, derrotado. Sorri alegremente e comecei á bater palmas para o novo membro de minha equipe, Turtwig caminhou até mim e sorriu vitorioso. Peguei-o no colo e acariciei seu casco carinhosamente, vendo-o aconchegar-se em mim.

- Você foi ótimo, bem-vindo á minha equipe – Elogiei colocando-o novamente na Pokebola e caminhei até Wartotle, acariciando sua cabeça e também o devolvendo á Pokebola – Parece que temos um novo companheiro amigão.

Continuei minha caminhada até chegar a Jubilife. Fui direto para o centro Pokemon recuperar meus amigos. Entrei no lugar e observei os treinadores conversando uns com os outros alegremente. Andei até a recepção e fui alegremente atendida.

- Bem-vinda ao centro Pokemon, em que posso ajudá-la? – Perguntou a enfermeira Joy com um sorriso simpático.

- Vim restaurar meus Pokemon – Respondi colocando minhas Pokebolas no balcão – E também gostaria de fazer minha inscrição na liga Pokemon.

- Muito bem – Ela pegou as Pokebolas e colocou-as em uma bandeja dando para a Chansey ao seu lado – Cuidaremos de seus Pokemon... Ahn...

- Alice.

- Queira me acompanhar Senhorita Alice – Pediu-me abrindo uma parte do balcão para que eu passasse e abrindo uma porta atrás dela.

Caminhava logo atrás dela olhando tudo á minha volta, dentro daquele lugar possuíam várias salas de hospital com janelas para verem o tratamento que os Pokemon recebiam. A enfermeira e eu entramos em uma sala que parecia um escritório, com direito á mesa e tudo o mais.

- Qual sua cor preferida Alice? – Perguntou-me enquanto eu ainda analisava o lugar.

- Ah! Vermelho – Respondi e observei-a sentar-se na cadeira atrás da mesa, abrindo uma gaveta escondida e de lá tirando um cartão preto com vermelho.

- Seu nome completo? – Perguntou ligando o computador á sua frente.

- Alice Latrone.

- Idade?

- Dez anos.

E assim seguiram-se as perguntas. Respondi de tudo: meu sexo, data de nascimento, minha cidade natal, Pokemon, se eu era treinadora ou coordenadora. No final, ela pegou o cartão até então intocado e colocou em uma espécie de Scanner que existia ao lado do computador.

- Sua inscrição está completa Alice, queira me acompanhar para tirar sua foto.

Levantei-me e fui até um canto da sala onde havia uma câmera digital e logo á sua frente um fundo branco com um banquinho.

- Queira sentar-se para eu poder tirar a sua foto – Obedeci andando até o bando e acomodei-me lá, olhando para a câmera com um pequeno sorrisinho.

- Certo, vamos lá – Joy posicionou-se atrás da câmera ajeitando-a e apertando um botão – Agora só resta colocar sua foto na carteira.

Depois de algum tempo meu cartão ficou pronto, lá tinha minha foto, número de inscrição e a figura de meus Pokemon: Wartotle e Turtwig. A enfermeira me o entregou-me junto com uma pequena caixa na qual abri, dentro ela era almofadada com pequenos buracos em formatos estranhos.

- O que é isso? – Perguntei estranhando.

- Um lugar para você guardas suas insígnias – Explicou-me levantando e alongando-se – Sua inscrição está feita. Você precisa juntar as oito insígnias para participar da Liga, a cada Pokemon novo que capturar ou se algum evoluir, deve dirigir-se á um centro Pokemon para colocar sua foto no cartão. No final, os Pokemon que você tiver no cartão serão os que usará na liga.

Acenei com a cabeça em um sinal que havia entendido tudo, de agora em diante, eu precisava escolher Pokemon fortes de quisesse ganhar na liga. A enfermeira levou-me novamente até o balcão e entregou-me meus Pokemon completamente revitalizados.

- Mais uma coisa: todo treinador tem uma conta em cada computador existente nos centros Pokemon, lá é depositado dinheiro. Toda a vez que você perde uma luta, um pouco do seu dinheiro é dado ao treinador ganhador, mas se você ganha ele é depositado em sua conta.

- Mas como vocês controlam esse sistema? – Perguntei confusa.

- Nós não controlamos. O treinador perdedor é obrigado á doar a quantia de dinheiro, caso ele se recuse nós somos obrigados á invadir a conta do treinador e transportar uma quantia de 300 reais, agora mesmo você deve ter recebido 3000 em sua conta. Mas este dinheiro só é válido para comprar poções Pokébolas, poções, ou seja, apenas para coisas de Pokémon.

- Ok então – Respondi começando a prender meus Pokemon no cinto – Quando começa a liga Pokemon.

- Na verdade eles recebem, no máximo, 150 treinadores participantes, então seu lugar está reservado. Se você não comparecer no dia 6 de dezembro estará oficialmente desclassificada.

Seis de dezembro. Eu tinha apenas alguns meses para me preparar para á liga e eu achava que era tempo o suficiente. Agradeci e guardei meu cartão em minha mochila, a enfermeira explicou-me que eu podia descansar um pouco nas poltronas do centro Pokemon ou ligar para algum parente.

Escolhi sentar-me, ainda não estava preparada para falar com meu pai e encarar seus sermões. Libertei Wartotle e Turtwig, os dois começaram a brincar entre si enquanto eu pegava minha Pokedéx e apontava para os Pokemon ali no centro, querendo completá-la.

Involuntariamente apontei a máquina para Wartotle querendo ver o que dizia nela sobre ele.

“Wartortle, um Pokemon tartaruga. Ele se esconde na água enquanto caça e emerge para surpreender sua presa. Para manter a estabilidade enquanto nada em altas velocidades, Wartortle move suas incomuns orelhas peludas e sua cauda. Este rabo, coberto por uma variedade de pele grossa e valiosa, é usado para armazenar ar para mergulhos subaquáticos prolongados. Sua habilidade especial é Torrente”.

Logo depois apontei-a para Turtwig que agora cheirava a máquina, curioso em saber o que era.

“Turtwig, um Pokemon folha pequena. Feita de terra, a concha em suas costas endurece quando ele bebe água. Vive ao longo de rios e lagos. No topo de sua cabeça existe um broto que se desenvolve por toda a sua vida até se tornar uma árvore. Sua habilidade especial é Cobrir”.

Devo confessar que fiquei satisfeita em ter aqueles dois ao meu lado, apesar de pequenos, eles pareciam fortes e aquilo me enchia de orgulho. Guardei a Pokedéx e peguei uma revista sobre Berries na mesinha á minha frente. Wartotle sentou-se ao meu lado e encostou a cabeça em meu ombro lendo-a junto comigo e Turtwig deitou-se em meu colo, adormecendo logo em seguida.

Acho que ficamos assim por uma meia hora até que de repente a luz que eu usava para ler desaparecera, franzi o cenho na hora inclinando-me para esquerda e a sombra me seguiu, fui para a direita e aconteceu a mesma coisa. Irritada, levantei a cabeça e encontrei a culpada de tudo aquilo.

Uma loira de cabelo comprido e vestido branco estava na minha frente com um rosto desafiador e sorridente, ao seu lado encontrava-se um Charmander que possuia o mesmo olhar, mas este direcionado ao Turtwig que dormia no meu colo.

- Eu te desafio para uma batalha – Disse com uma voz incrivelmente irritante – Meu Charmander contra o seu Turtwig.

- Não, muito obrigada – Respondi voltando a minha atenção á revista irritando-a.

- Você não pode recusar! Eu sou a treinadora mais forte desse lugar – Ela disse apontando na direção de uma criancinha que assistia nossa conversa.

- Wow, você é mais inteligente que uma criança de sete anos – Comentei irônicamente ouvindo Wartotle segurar o riso.

Ela não entendeu a piada até virar-se na direção onde estava apontando e voltando a me encarar com raiva. De repente sua expressão suavizou-se e transformou-se em alegria, ela sentou ao meu lado com os braços cruzados na frente do peito feito uma criança quando estava de birra.

- Então vou ficar aqui, conversando com você, até mudar de idéia.

- Vamos batalhar – Respondi fechando minha leitura na mesma hora. Quanto mais rápido a batalha, mais rápido ela sumia da minha frente.

Retornei meus Pokemon para a Pokebola e nós duas andamos até o lado de fora do centro Pokemon, onde havia uma piscina. Um menino qualquer disse que seria o juiz, mas eu não estava nem aí para aquilo, só queria acabar logo a batalha e ir embora daquele lugar.

- Vai ser um contra um – Anunciou o juiz.

– Ah sim! Meu nome é Yasmin – Cumprimentou a loira com um sorriso gentil.

- Muito prazer, sou Alice, agora vamos batalhar – Atirei a Pokebola de Turtwig libertando-o, ele estava pronto e confiante.

- Certo, vai Charmander – Ordenou ela e o Pokemon de fogo correu até sua frente.

- Começem!

- Charmander, use Brasa!

A boca daquela salamandra ficou cheia e quando a abriu, milhares de pontos vermelhos foram lançados contra Turtwig.

- Evasiva Turtwig e depois use Investida.

Ele fez tudo que mandei, mas infelizmente não foi rápido o bastante. Na hora de se virar algumas brasas acertaram seu corpo diminuindo consideravelmente sua velocidade, mas mesmo assim desviou e começou a correr em direção de Charmander.

- Pule Charmander e use arranhar – Gritou feliz.

No ultimo momento aquele dragãozinho deu um pequeno salto e caiu em cima do casco de Turtwig, logo depois ele arranhou a parte de trás da cabeça dele fazendo meu Pokemon gritar de dor.

- Turtwig tire-o daí! – Gritei e na mesma hora o Charmander havia saído de cima dele e ficado ao seu lado enquanto minha tartaruga estava caída no chão.

- Esta batalha já esta decidida! – Comentou Yasmin rindo ridircularmente fazendo-me ficar com raiva.

Turtwig já havia levantado a algum tempo e encarava com raiva seu oponente rindo da cara dele, olhei para a piscina cheia de água procurando uma estratégia. Água? Era isso! Eu já tinha um plano.

- Turtwig morda o rabo de Charmander e use Absorver.

Minha rival parou de rir ao ouvir o grito de dor de seu Pokemon, o corpo de Turtwig voltava á ficar verde e aos poucos absorvia energia de seu oponente.

- Corra até a piscina e beba água – Ordenei e percebi que ele havia captado a estratégia.

Meu Pokemon soltou o outro e rapidamente correu até a piscina bebendo o máximo de água que conseguia enquanto Charmander ainda estava atordoado por culpa do ataque Absorver.

- Encha a boca de água e jogue no Charmander – Gritei e Turtwig corria até seu oponente agora consciente.

- Use Arranhar – Mandou Yasmin, mas Turtwig havia jogado água no rosto de seu oponente, fazendo com que tentasse enxugar seu rosto com as patas.

- Use Investida Turtwig – Gritei, mas algo me surpreendeu.

- Segure-o bebê e não solte – Charmander agarrou a cabeça dele firmemente parando o ataque com suas mãos – Use Brasa.

O desespero me aflorou quando vi o Pokemon encher a boca de fogo novamente, mas quando o ataque acertou Turtwig, não causara muito dano. Do nada gritei uma coisa que eu sempre falava quando via luta livre na televisão junto com meu pai.

- Soque-o Turtwig! – Ele me encarou como se eu fosse louca, mas me obedeceu levantando sua pata e dando um empurrãozinho em Charmander enquanto este ainda o segurava – Chama isso de soco? Você é o que? Uma Skitty? Com vontade Turtwig!

Ele parecia ter se enfurecido porque logo depois sua pata se distanciava e socara o estômago do outro Pokemon com força, fazendo-o cair de joelhos e segurar sua barriga.

- Investida com força total Turtwig! – Logo depois, só podia ver a pequena salamandra vermelha sendo jogada aos pés da treinadora.

- Levante-se Charmander, Vamos! – Gritava Yasmin, mas de nada adiantava.

- Charmander está fora de combate! Os vencedores são Turtwig e Alice.

Gritei de alegria e abri meus braços para Turtwig que corria em minha direção, abraçando-o com força. A primeira batalha de um Pokemon nunca se esquece, e eu com certeza guardaria aquilo em minhas lembranças, nunca havia pensado que Turtwig era tão forte.

- Você foi muito bom, mas agora descanse – Elogiei colocando novamente na Pokebola.

- Você foi ótimo Charmander – Agradecia Yasmin para seu Pokemon com um sorriso e colocando-o na Pokebola. Ela me encarou com um sorriso confiante – Você foi boa, mas da próxima vez não vou facilitar!

- Tanto faz – Disse curta e grossa, começando a me afastar dela.

- Idiota! – Gritou a loira, mas ao invés de raiva sua voz parecia alegre.

Até hoje não entendo o porque de eu estar sorrindo mesmo depois de ser xingada, eu com certeza era uma menina muito esquisita.


Continua...

Gabijonko



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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Mr. Evil em Qua 9 Fev - 13:45

haha, gostei ^^
principalmente pela criatividade da fic õ/
batalha estranha, mas interessante.

Bem, teve erros pequenos, como falta de um ponto de interrogação, acento grave quando não era necessário ...
Enfim, erros pequenos.

Estou esperando para saber como o Prof Rowan vai reagir ao roubo, afinal são 5 masterballs haha.

Sua fic já tem um leitor fixo Alice ^^
Mas continua, okk ? ^^

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Rafael Arceus em Qui 10 Fev - 12:01

*suspiro*
Essa fic me lembra tantos coisas da Darkay...
[Nostalgia ON]

Apesar de já ter lido esse episódio ele me recordou vários coisas do antigo fórum, e claro, a fic está ótima como sempre
Parabéns Alice (nunca vou parar de te chamar assim :troll:), continue postando o resto da fic aqui e não sumo OK

Rafael Arceus



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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Mr. Mudkip em Qui 10 Fev - 13:26

a fic é interessante, mas 5 masterballs em uma gaveta de um laboratório é um pouco exagerado, apesar disso esta indo muito bem. Seria legal ela se tornar uma caçadora pokémon, estilo a caçadora J...

Mr. Mudkip



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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Gabijonko em Ter 15 Fev - 0:28

Primeiro, quero agradecer muito aos que comentaram e leram a fic, o escritor nada seria sem seus leitores, e vocês me fazem muito feliz mesmo!
Bom, sem mais delongas, vamos á fic!
(P.S. Perdoem meus pequenos erros gramaticais, me esforço o máximo para que desapareçam.)


Capítulo 3 – A Procura do Líder Perdido



Continuei minha caminhada para fora da cidade até ouvir alguém chamando meu nome, virei-me sorridente com a expectativa de encontrar um novo oponente, mas logo minha alegria se esvaiu ao me deparar com o ser que havia feito de minha vida um inferno enquanto ainda morava em Twinleaf: Damion.


- O que está fazendo aqui? – Perguntou com uma voz chocada que me irritou muito naquela hora – Pensei que ficaria o resto de sua vida sem mostrar a cara.

Vamos recapitular o que havia me acontecido até agora: havia roubado Turtwig do Professor Rowan, passado por um momento traumático da minha vida ao ver meu pai sendo interrogado pela polícia, saído de viagem sem ninguém saber e ainda lutara contra uma garota mimada para qual quase perdi. E ainda tinha que agüentar aquela besta? Acho que não!

- Não Damion, esse seria você – Respondi com uma voz calma e tranqüila a qual fez meu odiado rival estranhar – Quer dizer, depois de apanhar de uma menina com metade do seu tamanho e o dobro da sua força deve ter feito seus amigos ficarem um pouco duvidosos de toda essa sua... “Masculinidade”.

- Ora, sua... – Disse com a voz beirando á uma raiva contida.

Do nada, senti uma pontada de dor atrás da minha nuca e me virei para ver quem era encontrando nada além da estrada que devia percorrer para chegar á cidade de Oreburgh. Damion parecia ter percebido alguma coisa, pois não parava de olhar para uma árvore perto de nós. Quando ia perguntar se ele havia visto algo, mais uma vez a dor bateu no mesmo lugar antes atingido. Virei-me furiosa e não encontrei nada novamente.

- Alice olha! – Me chamou meu antigo vizinho apontando para uma árvore, segui seu dedo e me deparei com uma figura um tanto incomum.

Um menino deitado em uma árvore com um galho na boca e um rosto divertido. Aparentava ter a mesma idade que eu, usava uma regata preta com detalhes em laranja, uma calça laranja junto de um tênis branco. Seus olhos eram verdes como o seu cabelo curto. Sua cor de cabelo incomum me lembrava que era como eu.

Meus olhos o fuzilaram, mas ele parecia estar tremendamente divertido com aquela situação. Abaixei-me e peguei um pedaço de galho no qual eu sabia que havia acertado minha nuca.

- Foi você? – Perguntei tentando parecer calma, mas ele apenas sorriu mais – Sim ou não?

Não disse uma palavra, mas acenou afirmativamente com a cabeça. Suspirei fundo e peguei Wartotle de meu cinto, libertando-o e ordenando.

- Jato de Água naquela árvore Wartotle – Ele fez exatamente como mandei, mas na hora em que a água atingira a madeira o garoto havia pulado e aparecido na minha frente, parecendo um ginasta – Mas como...

- Você é divertida, meu nome é Aaron – Disse o garoto com uma voz infantil, estendendo a mão para mim.

Fiquei meio receosa, mas acabei o cumprimentando e apertei a mão dele. O tal de Aaron parecia ser só sorrisos, não parava de me encarar, parecendo incrivelmente maravilhado com a cor do meu cabelo, já que seu olhar rapidamente parou de me encarar para contemplar o topo de minha cabeça. Não podia culpá-lo por isso, eu também estava surpresa por achar outra pessoa com a cor do cabelo meio incomum, e poderia dizer que aquilo me alegrou um pouco, porque soube que não era a única com aquela hereditariedade.


- Meu nome é Alice – Cumprimentei e soltei sua mão, logo apontando para Damion – E o idiota com cara de retardado é o Damion.

O loiro atrás de mim parecia ter ficado furioso, mas o de cabelo verde apenas sorriu mais ainda como se a piada o tivesse divertido muito.

- Você é engraçada Alice – Comentou pegando a minha mão – Deve estar indo para a cidade de Oreburgh, certo?

- Sim... – Respondi olhando sua mão apertar a minha enquanto ouvia meu antigo vizinho bufar atrás de mim, parecendo um cavalo – Como sabe?

- Apenas um palpite – Respondeu coçando a nuca, um pouco envergonhado.

- Ah, eu vou embora! Não tenho tempo a perder com perdedores como você – Reclamou Damion passando por mim e, propositalmente, esbarrando com o ombro em Aaron.

Suspirei diante daquele ato infantil e peguei a Pokebola de Wartotle para chamá-lo de volta, mas me surpreendi ao ver Aaron acariciando a cabeça de meu Pokemon, enquanto este mantinha os olhos fechados parecendo estar adorando o carinho. Aquilo era muito estranho, por mais que Wartotle fosse calmo e não gostasse de lutar, ele não era tão manso perto de pessoas estranhas.

- Bom, já vou indo – Aaron se levantou e apontou para meu Pokemon aquático – Você tem um belo parceiro na sua equipe, só mais um pouco e ele se tornará um grande Blastoise! Tchau!

Depois desse comentário ele virou as costas para mim e foi em direção da cidade que eu havia acabado de sair. Meu humor rapidamente se desfez depois daquele comentário e Wartotle me encarava com aquele olhar de expectativa novamente. Sim, já conhecia muito bem este olhar. Á muitos anos ele tentava evoluir, mas eu sempre cancelava sua evolução porque segundo papai, ele não me achava com responsabilidade o suficiente para controlar um Pokemon em seu último estágio, e o pior é que ele tinha razão.

Continuei minha caminhada ainda absorvida em meus pensamentos. Um Pokemon só lhe obedece em batalha quando você possui insígnias o suficiente para controlá-lo, minha amizade com Wartotle o impedia de me desobedecer, mas eu sabia que ele podia virar as costas para mim a qualquer hora, e aquilo me dava muito medo. Se evoluísse para Blastoise, com certeza se negaria a continuar comigo e aquilo eu não podia permitir.

Quando parei um pouco de pensar, vi que estava quase escurecendo e me deparei com uma caverna escura, mas entrei mesmo assim. Aquele lugar estava realmente escuro, quase não conseguia enxergar nada, mas então ouvi um grito e senti um flash de luz em meus olhos me cegando completamente. Coloquei a mão na frente do rosto tentando não perder o controle.


- Encontrei irmão! – Gritou uma voz infantilmente masculina.

- Mesmo? – Gritou outra pessoa e do nada a luz se desligou, mas a minha visão ainda estava embaçada – Maninho, é uma menina.

Quando meus olhos estavam melhores, encarei meus “agressores”. Um era uma criança com cabelos negros e olhos castanhos, usava uma regata vermelha com um colete azul e short verde e o outro parecia ter 16 anos com cabelos negros e olhos azuis, usava uma camiseta branca e calça preta.

- Sim, acertou! Sou uma menina que está a procura do ginásio de Oreburgh tentando ganhar sua primeira insígnia de ginásio sem ser parada a cada 10 minutos por algum louco com qualquer motivo besta! – Desembuchei, respirando fundo depois daquela enorme frase.

Acho que aquilo serviu de ameaça porque conseguia ver como aqueles dois garotos pareceram ficar com medo de mim.

- Desculpe-nos, estávamos procurando Roark, o líder do ginásio, mas até agora não o encontramos – Disse o mais velho se colocando na frente do irmão mais novo que agarrava sua perna e me encarava temeroso.

- Tanto faz, só me deixem passar – Reclamei continuando minha caminhada e me dirigindo para o final da caverna que desapontava atrás daqueles dois idiotas.

- Espere, qual o seu nome? – Gritou o mais velho.

- Alice – Respondi saindo da caverna, mas conseguindo ouvir.

- Sou Daniel! Boa sorte com sua batalha.

O mundo havia ficado louco? Todos pareciam tão gentis comigo embora eu os tratassem mal. Qual era o problema destas pessoas? Tentei deixar aquele pensamento de lado e olhei a cidade logo á minha frente e estranhei o como ela parecia abandonada. Não possuía nenhuma calçada ou estrada, era terra pura. Não havia ninguém na minha vista e aquilo estava me cheirando mal.

Desci as escadas e comecei a andar sem rumo até encontrar os habitantes daquele lugar, conversando na frente de uma estranha casa, e pareciam estar preocupados. Aproximei-me de uma senhora loira e perguntei gentilmente.


- Com licença, poderia me dizer o que está acontecendo? – Ela parou a conversa e se virou com um sorriso para mim.

- Ah querida, vejo que veio desafiar o líder do ginásio, certo? – Afirmei com a cabeça – Creio que isso não irá acontecer...

- Mas por quê? – Perguntei apavorada com a idéia de não ganhar minha insígnia.

- O líder do ginásio sumiu, e todos estão procurando por ele há horas – Ela suspirou colocando sua mão no queixo e apoiando o cotovelo no outro braço – Não
temos recebido muitos treinadores e isso pareceu assustar Roark e, do nada, desapareceu! Nem seus pupilos sabem onde ele se encontra.

Era só o que me faltava, o líder sumia e ninguém sabia onde ele estava. Agradeci pela informação e me dirigi até o centro Pokemon logo á frente. Entrei nele e falei com a enfermeira Joy para restaurar meu Wartotle. Turtwig parecia estar bem. Depois de ela levar meu Pokemon, sentei-me em uma poltrona de frente á uma TV e fiquei ali acho que uns 10 minutos, até levantar com um pouco entediada de tudo aquilo.

Sai daquele lugar e notei que havia escurecido, mas o movimento continuava o mesmo. As pessoas agora se espalhavam tentando procurar o tal líder em todos os lugares. Suspirei cansada e desviei para a esquerda tentando escapar daquela agitação toda. Foi quando a paisagem começou a mudar. Ela escurecia a cada passo que eu dava e ficava cada vez mais estranha, algumas máquinas de construção começavam a aparecer. Foi quando eu vi a entrada de uma caverna, revirei os olhos diante daquilo, era impressão minha ou as cavernas começavam a se reproduzir?

Estranhei também a falta de pessoas, estariam com medo? Dei de ombros e entrei me surpreendendo como era bem iluminado com várias lâmpadas ao redor. Á minha frente havia escadas, e eu podia ouvir barulhos estranhos vindos de dentro da caverna. Aquilo estava começando a ficar assustador. Desci todas elas e entrei em outra entrada, mas essa parecia mais escura. Eu poderia seguir pela esquerda ou direita. Pensei por um minuto até que senti uma tremida no chão e escolhi a direita que era de onde aquelas vibrações estavam mais fortes. Eu andava e andava cada vez mais, mas parecia não ter fim e a luz enfraquecia, até que avistei algo se movendo. Aproximei-me com cuidado e notei que era uma pessoa.

Aconteceu tão rápido que eu quase não consigo explicar com palavras. Do nada, uma enorme cobra de pedra veio em minha direção com uma cara zangada, gritei e comecei a correr tentando escapar daquela coisa, até sentir algo me enroscando pela cintura e me tirando do chão. Olhei onde era agarrada e segui uma espécie de caminho de pedras até encontrar o tal monstro me segurando no ar, dessa vez ele parecia mais calmo. Pude então notar que o monstro era um Onix, me sentindo meio estúpida por pensar que ele era um monstro.


- Me desculpe, pensei que era um Pokemon – Falou uma voz masculina, Pensei ter vindo do Pokemon, até olhar para baixo e notar um homem moreno de capacete vermelho com feições alegres me encarando – Você esta bem?

Fiquei sem fala durante um bom tempo, mas a recuperei quando finalmente fui devolvida ao chão.

- Ah... Sim! Estou bem, mas... Quem é você? – Perguntei ainda de olho no Pokemon ao lado daquele estranho.

- Me chamo Roark, sou o Líder do Ginásio de Oreburgh – Respondeu coçando a cabeça por cima do capacete.

- Você é Roark? As pessoas estão te procurando! Disseram que o líder sumiu há horas atrás e ninguém o encontrava – Comentei indignada com a falta de noção daquele sujeito – Como pode sumir sem avisar?

- Horas? Só saí faz 30 minutos... – Fiquei com uma cara de tacho ao ouvir aquilo, eu realmente precisava parar de acreditar em qualquer coisa que ouvia – As pessoas dessa cidade são umas exageradas! Querem que eu morra trancafiado naquele ginásio, francamente...

- Me desculpe, pensei que havia abandonado o ginásio... – Disse meio envergonhada com aquela cena que eu havia feito – Aí eu não conseguiria minha insígnia e...

- Você é uma treinadora? – Afirmei com a minha cabeça o que fez o sorriso daquele Líder aumentar mais ainda – Finalmente, uma desafiante! Faz dias que ninguém me desafia para uma batalha... Venha, vamos sair daqui. A propósito, qual o seu nome?

- Alice – Respondi observando ele retornar com seu Onix e começar a segui-lo para fora daquele lugar.

- Bonito nome – Comentou quando estávamos diante da saída.

- Obrigada.

Já havíamos saído daquele lugar e Roark já se desculpava com todos, mas a curiosidade me corroia por dentro.

- Por que deixou o Ginásio? – Perguntei enquanto nos dirigíamos para o centro Pokemon.

- Ouvi rumores de que coisas estranhas estavam acontecendo naquele lugar, foi visto um fantasma de Pokémon e isso me preocupa – Respondeu com uma cara séria.

- E daí? Pokemon fantasmas habitam lugares escuros e sombrios, me parece completamente normal – Respondi cheia de mim por saber daquilo.

Nessa hora, Roark parou e ficou me encarando como se tentasse descobrir o que eu estava pensando, aquilo me incomodou um pouco, mas decidi não comentar nada já que eu também tentava entender o porquê de ele deixar o ginásio por um motivo tão besta. Pokémon fantasmas não eram lá algo que necessitava de tanta atenção assim.

- Você não me entendeu, não estou falando de Pokemon fantasmas – Respondeu de uma maneira sombria que havia me deixado meio confusa – Estou falando de fantasmas de Pokemon.

Ok, agora eu estava surpresa! Soltei meio que uma exclamação ao ouvir aquilo, era impossível que fantasmas de Pokemon vagassem por aí, eles deveriam ir para o céu, inferno ou qualquer lugar que não fosse o mundo dos vivos. Nunca havia ouvido falar de fantasmas rondarem por aí.

- Por isso eu decidi ir ver com meus próprios olhos...

- Então?... Você achou? – Perguntei com medo da resposta.

- Sim... – Meu coração ficava cada vez mais acelerado e minha pele se arrepiava à medida que aquela história ficava mais esquisita – Acho que faz uma semana que um Geodude foi morto por aqui. Esmagado ao ser confundido com uma pedra... E o fantasma era da mesma espécie do que foi morto...

- Tem certeza disso? Quer dizer... Podia ter sido um holograma ou coisa parecida – Tentava achar uma resposta lógica para aquilo tudo.

- Não, era real demais... – Respondeu meio que pensativo – Terei de pedir que tente dormir hoje Alice, esse mistério esta me dando uma dor de cabeça danada e creio que não conseguirei batalhar com tantas coisas na mente.

- Certo... Boa noite... – Disse me despedindo e indo em direção do centro Pokemon.

Eu já havia recebido meu Wartotle, dado comida para meus Pokemon, tomado um banho e feito um pequeno lanche na lanchonete do Centro, agora estava deitada na cama, mas tudo que eu conseguia pensar era o fantasma do Pokemon que habitavam aquela caverna, será que tudo aquilo era verdade? Por que aquela alma não ia para o submundo ou coisa parecida? Será que ela possuía algum motivo que a prendia naquele lugar?

Mas a principal pergunta que eu me fazia era: Para onde os Pokemon iam quando morriam? Eles ficavam vagando por aí?

Estava cansada demais para continuar pensando naquilo e finalmente decidi dormir. Virei-me para o lado e encarei Wartotle deitado na outra cama, uma grande angustia me dominou ao imaginar a alma de meu bebê vagando por aí sem rumo... Meus olhos desceram e fiquei olhando Turtwig que dormia embaixo dos cobertores com o corpo completamente encostado em mim. Sorri e coloquei minha mão em seu casco. Mal havia conhecido ele e já estava completamente apegada aquela pequena tartaruguinha.


- Vamos vencer amanhã amigos... Eu acredito em vocês...

Continua...


Então? O que acharam? Gostaram?
Deixem seu comentário, ele é muito importante!

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Mr.Coal em Ter 15 Fev - 7:50

Curti, a fic está bem escrita, não tá corrida, a história tá bem envolvente ^^
essa história de "para onde vão os pokemons quando morrem" sempre intrigou mta gente xD pq, em jogos e no anime, um pokemon nunca tinha sido morto antes... vamos ver como vc vai abordar esse tema ae xD

parabéns gabi, gostei da fic ^^

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Mr. Evil em Ter 15 Fev - 8:07

Haha reviravoltas são sempre interessantes quando bem feitas ^^
novos e antigos personagens, medo da evolução, batalhas futuras ...
estou adorando tudo, sério.
sua fic está obtendo o ritmo certo, fatos importantes acontecendo, porém, não muito rapidamente.

Hora das previsões de Evil :
Ela ir treinar a noite pra batalha contra o roark e acabar encontrando o fantasma.
Fim das previsões de Evil kk

Enfim, tome cuidado com sinnoh, como você escolheu um continente já existente,
certa verossimilhança tem que existir.
Tem gente que de uma cidade "x" oara a "y" pula umas 3 cidades no meio, em que é necessario passar okk ^^
Desculpa, é que ja li umas bem absurdas, mas a sua está certinha haha.

O Coal nii-san disse algumas verdades também
(enquanto estava escrevendo, e tenho que comentar sobre comentarios haha),
já que quero ver como vai ser tratado o tema haha,
mas sem pressões ^^

Continue ou o fantasma do geodude vai puxar seu pé a noite ...
mwahahahahahah

Parabens ae Alice, a fic tá otima, interessante.

Até o proximo capítulo, Evil

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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Mr. Mudkip em Qua 16 Fev - 7:29

Gabijonko, uma palavra define tudo, perfeito. Quem dera conseguisse manter um ritmo fixo como você... (eu estou penando com isso!) Você escreve divinamente e sua fic tem um potencial de exploração íncrivel, espero grandes acontecimentos no futuro. Alice tem tudo pra ser uma grande protagonista, mas sempre acabo gostando mais de um ou outro personagem, aguardando ansioso os próximos personagens (se houver).

Até

Mr. Mudkip



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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Gabijonko em Seg 21 Fev - 15:52

Nossa, esse capítulo ficou bem grande!
Bem, gostaria de informá-los que com a volta ás aulas, estarei um pouco ocupada, mas continuarei a escrever, não se preocupem, mas poderei demorar um pouco para postar. Gostaria também de agradecer ao Mr.Coal, Mr.Evil e Mr.Mudkip. Seus comentários me emocionaram! Obrigada do fundo do meu coração!
Enfim, vamos á Fic!

Capítulo 4 - Problemas Pela Manhã


Acordei exatamente ás 9:00, contando que o ginásio abria ás 10:00. Queria me preparar para a grande batalha contra Roark, afinal, se ele é líder de ginásio com certeza deve ser um homem bem poderoso. Arrumei-me e fiz a cama para não incomodar as enfermeiras de arrumar meu quarto. Acordei Turtwig e Wartotle retornando com eles na pokébola e me dirigi para frente do centro Pokémon, precisava arranjar alguém para treinar antes da grande batalha.

Peguei minha mochila e sai do meu alugado quarto, onde quase esbarrei com uma afoita enfermeira Joy que parecia desesperada procurando alguém.

- Ajuda... Por favor – Ela pediu entre uma respiração e outra – Damion... Briga... Alice...

Damion? Aqui? No Centro Pokémon de Oreburgh? Aquilo com certeza não iria acabar bem. Soltei um longo suspiro, acalmando a afoita enfermeira, e comecei a caminhar em direção da entrada para ver aquele loiro burro. Quando cheguei lá, o vi junto de Aaron, o irritante garoto de cabelo verde, mas ao invés de conversarem eles pareciam estar discutindo em um tom um tanto alto pro meu gosto, e a coisa parecia que não iria acabar bem.

Aproximei-me rapidamente e comecei a tentar chamar a atenção daqueles dois, mas a coisa não parecia boa para o meu lado. Eles simplesmente não paravam.

- É lógico que eles são os melhores! Como ousa negar isso? – Gritava Aaron.

- Você é muito ingênuo em pensar que Pokémon de grama são melhores que aquáticos – Rebatia Damion com o nariz empinado parecendo uma menina.

Parei por um instante e tive certeza que meu rosto deveria estar dominado pelo escárnio. Aquela era a discussão? Quais dos dois tipos eram melhores? Senti meu rosto começar a ficar vermelho pela raiva que me dominou naquela hora.

- VOCÊS QUEREM CALAR A BOCA?! – Gritei chamando a atenção de todos em volta, inclusive daqueles dois – ISSO AQUI É UM CENTRO POKÉMON E NÃO UM BAR DE ESQUINA ONDE PODEM GRITAR A VONTADE! TEM POKÉMON DOENTE AQUI, SEUS RETARDADOS SEM CÉREBRO.

- Des-Desculpa Alice – Disse Aaron envergonhado – Não era a minha intenção...

- É... A gente só tava... – Continuou Damion.

- Não quero saber, deveriam ter vergonha em serem chamados de treinadores ao gritar em um lugar desses – Censurei e logo soltei uma exclamação ao olhar o relógio – 9:15? Ótimo! Perdi 15 minutos do meu treino tentando apartar essa briga estúpida.

- Treino? Vai desafiar Roark? – Perguntou Damion com um rosto confiante.

- Sim... Por quê?

- Eu vou fazer isso hoje, mas também preciso dar uma treinadinha nos meus dois meninos aqui – Comentou erguendo duas Pokebolas – Ta afim?

Confesso que fiquei meio receosa em aceitar aquele convite, afinal, Damion poderia ser um Playboizinho filhinho de mamãe, mas podia apostar que era um treinador que merecia um pouco do meu respeito. Mas... Por que não? Já fazia um tempo em que eu não exercitava meu Wartotle, e Turtwig iria evoluir vendo que as batalhas que travaria exigiriam tudo dele.

Acenei positivamente e retirei do meu cinto os meus dois Pokémon.


- Dois a dois? Ou quer que eu use só um pra não ficar mal com seu amigo? – Caçoou meu vizinho loiro com uma voz que me irritou muito.

- Use quantos precisar, você sempre dá um jeito de perder pra mim – Eu disse me lembrando de quando eu dei uma surra nele, quando ele estava tentando mexer comigo.

Ele bufou irritado, mas não dei bola e comecei a caminhar em direção do lado de fora, mas quando saímos do centro Pokémon, me deparei com a pessoa que eu menos queria no momento. Homem velho de mais ou menos 60 anos com bigode e cabelos brancos. Mais conhecido como...

- Professor Rowan! – Gritou Damion completando meus pensamentos com um grito irritante – O que faz aqui?

- Vim falar com Roark sobre alguns assuntos particulares Damion, mas parece que acabei encontrando vocês três – O comentou com um sorriso no rosto – Não me vai apresentar seus amigos?

- Claro professor! Esses são Aaron e Alice, meus dois grandes amigos – Disse animado abraçando pelos ombros eu e Aaron. Lancei um olhar assustado á Aaron que me correspondeu com um de confusão.

- Alice Latrone? – Ele me perguntou com um olhar desconfiado – Conheço seus pais, você não tinha 9 anos?

- Ah sim... Mas vou fazer dez no mês que vem – E aquilo não era mentira.

- Entendo... Qual seu Pokémon inicial? – Perguntou-me com uma bondade que estranhei no momento, mas estava mais preocupada em falar da existência de Turtwig.

- Como assim Professor? Ela não pegou o Pokemon no seu laboratório? – Damion soltou meus ombros e os de Aaron que pareceu meio aliviado ao ser solto do sufocante aperto.

- Que tal você vê-lo na minha batalha? – Perguntei meio desesperada, começando a dar a volta no centro pokemon e indo para o campo de batalha que tinha ali.

Os outros me seguiram em silêncio, provavelmente estranhando a minha mudança tão brusca de assunto. Achei melhor ele descobrir, assim eu não era bombardeada com tantas perguntas de como eu possuía o Pokemon da mesma espécie do que desapareceu do laboratório. Suspirei cansada enquanto tomava o meu lugar em uma das pontas do campo de batalha e colocava minha mochila no chão.


- Como não possuímos nenhum juiz, eu serei o mediador desta batalha – Anunciou Rowan com seus braços atrás das costas – Será dois contra dois! Comecem!

- Como fui eu que desafiei, eu começo – Anunciou Damion lançando uma Pokébola – Vai Starly!

Da pokebola saiu uma espécie de pássaro preto, ele desceu de seu pequeno vôo e ficou esperando eu lançar meu Pokémon, mas minha curiosidade foi maior e acabei pegando minha Pokedex apontando logo em seguida na sua direção.


“Starly, um Pokemon voador. São encontrados, normalmente, em um grande rebanho, que é pouco perceptível quando sozinho. Seus gritos são muito estridentes. Sua habilidade especial é Olho Vivo.”

- Um Pokémon berrante? Esse Pokémon é a sua cara – Quase ri da expressão de meu vizinho depois deste comentário, mas achei melhor me apressar então peguei a Pokébola de Wartotle e joguei em direção do campo – Acaba com ele Wartotle!

Minha tartaruga saiu com um olhar confiante, como sempre. Damion parecia impressionado com alguma coisa. Penso que era pelo fato de que eu já possuía um Pokemon de estágio dois, e aquilo não era algo muito comum entre treinadores principiantes, mas o que me surpreendeu foi a seriedade do rosto do Professor ao examinar meu Wartotle. Estranhei aquilo, afinal vivia recebendo elogio pelo forte Pokémon que Wartotle era.

- Muito bem, Ataque Alado Starly – Minha atenção voltou para o campo ao ver Wartotle ser jogado ao chão por uma espécie de Mini-furacão – Agora use Bicada!

- Entre no casco! – Ordenei e assim que Wartotle fez o que mandei, o bico de Starly bateu fortemente contra o casco de Wartotle, deixando uma pequena marca onde arranhara – Agora saia e use Pistola de Água!

Meu Pokémon revelou-se e tentou acertar aquele espécime de pássaro com um forte canhão d’água, mas ele era mais rápido que meu garoto, fazendo com que desviasse facilmente.

- Use Bicada Starly e continue assim! – Gritou Damion e logo em seguida vi o bico de Starly brilhar enquanto descia em uma velocidade incrível acertando Wartotle em cheio.

- Entre no casco! – Gritei, mas as coisas acabaram fugindo do meu controle e simplesmente não dava tempo de Wartotle obedecer minha ordem. E assim ficou com Starly continuou bicando Wartotle que havia caído de barriga para cima completamente vulnerável.

Comecei a entrar em desespero, não sabia o que fazer até ouvir Aaron gritar para mim.

- Seu Pokemon não tem nenhuma habilidade especial? – Me perguntou.

Aquilo era a luz do fim do túnel para mim quando me lembrei das informações que minha Pokedex havia me dado, às vezes eu agradecia por ter uma memória fotográfica.

- Use pistola d’água! – Gritei me lembrando da Torrente.

Wartotle abriu os olhos que estavam até então fechados, colocando suas duas patas no chão ele ganha impulso e ficava de pé novamente encarando Starly que parava sua descida e se desviava da minha tartaruga, foi a brecha perfeita onde o jato de água de Wartotle o acertou em cheio. Impressionei-me com a força que saiu da boca dele, parecia estar mais forte que ultimamente.

O pássaro acabara por ir ao chão graças à força de meu bebê, ele tentou levantar novamente, mas ganhou um novo banho por conta da tartaruga que parecia zangada. Ele tentou levantar mais uma vez e Wartotle jogou-o novamente no chão e lá ficou, anunciando sua derrota.


- Starly esta fora de combate, a vitória vai para Wartotle! – Gritei de alegria diante da vitória.

Parei de rir ao ouvir um corpo caindo ao chão e vi minha tartaruguinha jogada completamente cansada e tonta. Sua habilidade especial exige que o HP de Wartotle esteja abaixo de 33% para que seus ataques aumentem 1.5 de força. Chamei-o novamente para Pokébola e agradeci, estava na hora de Turtwig batalhar. A batalha com Roark voltou á minha mente e me virei para o professor.


- Que horas são? – Gritei tentando parecer calma.

- 9:45 – Ele me respondeu. Eu só tinha 15 minutos para vencer o Piplup de Damion e recuperar meus dois Pokemon pra minha batalha de ginásio.

- Vai dar tempo – Disse meu rival pegando e jogando seu último Pokémon, Piplup.

Se existisse uma espécie de Pokémon que eu odiava, eram os Piplup. Fala sério! Eram pinguins azuis que possuíam vozes irritantes e jeito de andar esquisito. Não entendia a fascinação por aqueles pássaros, mas acabei por apontar minha Pokedex para ele.

“Piplup, um Pokémon Pingüim. Geralmente vivem ao longo da costa do mar em climas frios, mas são espécies muito raras. Piplup é dado pelo Professor Rowan para treinadores principiantes na região de Sinnoh. Sua habilidade especial é Torrente.”


Dei de ombros, ele não parecia muito forte. Peguei a Pokébola de Turtwig e a joguei em direção do campo de batalha. Ele saiu de sua Pokébola com uma alegria contagiante, parecia pronto para a batalha. Mas quando viu que Piplup seria seu rival, suas feições endureceram e ele parecia zangado.

Dei uma espiada para o professor Rowan para ver sua cara ao encarar meu Pokémon inicial, mas ele não parecia surpreso, para falar a verdade estava com o rosto sério. Ou ele sabia que aquele era o seu Turtwig ou era um homem muito ingênuo.


- Estão prontos? – Ele nos perguntou e nós dois respondemos que sim – Comecem!

- Piplup, use Bicada – Damion ordenou e o bico daquele pinguim começou a brilhar, ele começou a correr em direção do meu Pokémon, que não parecia nem um pouco assustado.

- Detenha-o com Investida! – Ordenei onde minha tartaruga correu até o outro e, surpreendentemente, o jogou para o chão parando com a Bicada – Use Absorver!

Meu Pokémon colocou as duas patas sobre a barriga do outro e seu corpo foi dominado por uma espécie de aura verde onde eu sabia que começava a sugar as forças. Piplup tentou se levantar, mas Turtwig reforçou o aperto e intensificou o Absorver. Minha surpresa não podia ser maior ao ver meu Pokémon tão concentrado na luta, ele parecia com raiva de Piplup.

Minha Pokedex começou a tremer e apitar até que eu a peguei de meu bolso e notei que, assim como na batalha contra Wartotle, Turtwig havia aprendido outro ataque.


Novo ataque aprendido: Folha Navalha.

Folha navalha? Aquele ataque seria ótimo contra o tipo pedra de Roark, sinceramente, eu tinha um Pokémon em tanto em minhas mãos.


- Solte Turtwig e ganhe distância – Ordenei.

Ele pareceu não gostar muito da ordem que lhe foi dada, mas acabara por soltar seu rival e começou a correr em minha direção até parar na minha frente, onde ficou esperando novas ordens. O outro Pokémon levantava-se lentamente, parecia bem fraco e eu duvidava muito que ele conseguisse continuar de pé depois do próximo ataque.

- Você está bem garoto? – Perguntou Damion preocupado, seu Pokémon acenou e o sorriso voltou para o rosto de meu rival – Vamos aproveitar então, essa é nossa chance. Use Bolhas.

O pinguim encheu o pulmão de ar e um segundo depois, várias bolhas saíam de sua boca em direção de Turtwig.

- Folha Navalha – Gritei vendo Turtwig começar a mexer a cabeça em voltas, do nada várias folhas começaram a sair da planta de cima da cabeça dele, estourando as bolhas de Piplup e o acertando em cheio. Ele foi ao chão e eu tinha certeza que ele não levantaria de lá.

- Piplup esta fora de combate, a vitória vai para Turtwig e Alice! – Anunciou Rowan e eu peguei meu pequeno herói no colo, levantando-o no ar e sorrindo enquanto ele batia as perninhas com alegria. Mais uma vitória perfeita!

- Foi muito bom – Elogiou o Professor se aproximando e fazendo carinho na cabeça de meu Pokemon – Fazia tempo que eu não via uma batalha tão rápida.

- Obrigada – Agradeci e me virei para Damion que se aproximava com uma cara triste – Você também foi bom, não esperava tanta força vinda de você – Elogiei tentando fazer meu antigo vizinho se sentir melhor, afinal eu não tinha um coração feito de pedra.

- Valeu, mas eu ainda preciso treinar – Falou virando a cara. Eu sabia que ele só estava sendo educado porque Rowan estava ali.

- É bom se apressar Alice, ou vai se atrasar para sua primeira batalha de ginásio – Comentou Aaron se aproximando de mim. Ele dá um pequeno afago em Turtwig que pareceu feliz em recebê-lo – Você é um ótimo Pokémon, com certeza vai vencer Roark.

- Tenho de ir agora – Avisei antes que aquela conversa nunca terminasse – Até depois gente!

Despedi-me pegando minha mochila e começando a andar em direção do centro Pokémon. Não queria parecer muito chata, mas eu esperava mais da minha batalha contra o Damion, quer dizer, eu estava feliz que Turtwig aprendera um novo ataque, porém eu queria algo mais emocionante, algo que tirasse o meu fôlego. Atrevo-me a dizer que aquilo não foi uma batalha, pra mim, foi simplesmente um aquecimento.


- Aqueles dois vão ter que se esforçar – Comentei para a pequena tartaruga no meu colo que parecia entender-me enquanto eu falava e ela prestava atenção em mim – Quer dizer os dois perderam muito fácil pra gente, vão ter que se esforçar muito pra nos alcançarem, certo?

Eu esperava que ele concordasse, mas ele continuou a me olhar como se esperasse alguma coisa de mim. Suspirei e entrei no centro Pokémon, o que eu estava esperando? Um “sim Alice, como você é inteligente!”? Coloquei a Pokébola de Wartotle no balcão junto de Turtwig e então notei como ele era pequenininho, julgando que ele estava no laboratório do professor eu deveria suspeitar que houvesse acabado de sair do ovo.

Quando a enfermeira Joy chegou, pedi que ela cuidasse de Wartotle e Turtwig. Ela pegou a Pokébola, mas analisou Turtwig e disse que ele não precisava de cuidados. Dei uma olhada e concordei com ela, acabando por colocá-lo no chão e caminhar para fora do centro com ele ao meu lado.

Eu caminhava calmamente pela cidade cuidando do horário para voltar e pegar Wartotle enquanto meu Turtwig corria um pouco mais pra frente como uma criança que era levada pelo pai para um passeio, até que ele parou e observou uma moita que começara a se mexer. Alertei-o para ficar longe dela por causa dos Pokémon selvagens, mas ele pulou pra dentro da pequena vegetação e dela, junto com ele, saiu outro Pokémon.

Estranhei muito quando o vi. Seu corpo era um ovo onde só a cabeça, patas e mãos saíam dele e essas partes eram amareladas. Mas ao invés de branco, a casca era enfeitada com pequenos desenhos de círculos vermelhos e azuis. Quando me avistou, ele rapidamente correu até mim e se escondeu atrás de minhas pernas enquanto Turtwig chamava para brincar com ele. Agachei-me e o peguei no colo, ele meio que pulou de alegria e me abraçou.

Peguei minha Pokedex e, colocando o pequeno ovinho no chão, apontei-a em sua direção.

“Togepi, um Pokémon ovo. É dito que este Pokémon exala uma relaxante aura quando tratado com carinho e atenção. Ao se aproximar de pessoas com corações impuros, eles se sentem cansados e fracos. São conhecidos por serem Pokémon de colecionadores. Sua habilidade especial é Graça Serena.

Devo confessar que não gostei muito do que ouvi. Para falar a verdade, eu não era chegada em Pokémon fofinhos e carinhosos e meu pai nunca entendera o porquê, talvez ele tivesse colocado naquela cabeça machista que toda menina precisava ser uma coordenadora e gostar de Pokémon bonitinhos, mas eu preferia aqueles bem grandes e fortes a os pequenos e adoráveis.

Olhei novamente para Togepi e notei que agora estava mais familiarizado com Turtwig, até havia sentado em seu casco e brincava com a folha em sua cabeça. Involuntariamente, eu deixei um pequeno sorriso enfeitar meu rosto, ele era tão pequenininho e inocente, tão imaculado e longe daquela droga de mundo cheio de perigos. Meu coração se apertou ao imaginar um Houndoom irado o encontrar enquanto procura comida, com certeza ele seria o lanchinho daquele tipo de Pokémon.

Decidida, tirei a mochila de minhas costas e abri o bolso da frente, pegando uma Pokébola e colocando minha bagagem novamente nas costas. Apertei o botão central da esfera e ela cresceu na minha mão onde toquei com o mesmo botão na cabeça do Pokemon ovo e ele acabou se tornando uma luz vermelha, logo indo para dentro da Pokébola.

Ela balançou uma. Duas. Três vezes. E parou. Eu havia capturado Togepi. Suspirei e guardei sua Pokébola, chamando Turtwig para irmos pegar meu outro Pokémon e batalharmos logo contra Roark. De algum modo eu me sentia aliviada por Togepi estar comigo e não por aí, onde poderia ser atacado por algum outro Pokémon.

Cheguei ao centro Pokémon e perguntei se meu Wartotle já estava recuperado. A enfermeira colocou sua Pokébola em cima da mesa e me assegurou que estava tudo bem, agradeci e lhe desejei um bom dia. Estava na hora de enfrentar Roark.

Saí do centro Pokémon e me dirigi ao ginásio, parando na frente da porta. Minhas mãos tremiam e eu suava frio. Droga de nervosismo! Minha primeira batalha de ginásio e parecia que eu estava indo pra um encontro... Tudo bem que eu nunca havia ido em um... Se bem que eu vivia batendo nos garotos da minha cidade... E eles eram uns idiotas, nunca me respeitavam!... Será que se eu tivesse... Alice para cérebro: Cala a boca! Cala a boca! Cala a boca!


- Vai ficar aí parada ou entrar logo de uma vez? – Me perguntou uma voz masculina atrás de mim.

Virei-me pronta para xingar o grosso que havia me insultado, mas não saíram palavras da minha boca. O garoto possuía alguns centímetros a mais de altura que eu e cabelos pretos penteados de uma maneira estranha, usava uma camiseta branca embaixo do colete preto junto com uma gravata azul e calças verdes, mas o que me deixou meio curiosa foi seu olhar, determinado como se estivesse me analisando.

Ele levantou as sobrancelhas e acho que esperava algum tipo de resposta por parte de mim, mas eu simplesmente fiquei parada. Não conseguia falar, todos os xingamentos que eu conhecia tinham desaparecido da minha mente.

- Então? – Ele perguntou cruzando os braços no peito – Vai entrar? Ou poderia me dar licença?

- Hã? Ah sim! Desculpe – Disse saindo da frente dele e dando caminho para entrar no ginásio.

Depois deste pequeno episódio, parecia que eu finalmente havia acordado do transe que estive presa. Por que eu não xinguei aquele garoto? Decidi deixar aquilo de lado e entrei no ginásio me deparando com um enorme campo cheio de crateras e pedras. Em um dos lados deste, estava Roark falando com o mesmo garoto que havia conversado instantes atrás. Aproximei-me ao ser chamada alegremente pelo do líder do ginásio.

- Alice! Que surpresa agradável! – Cumprimentou sorrindo e logo apontando para o menino – Este é Thorton, ele faz parte dos líderes da Batalha da Fronteira. Talvez você ainda não conheça...

- Conheço sim – Comentei estendendo minha mão para o outro garoto que me observava - Reconheci você agora, de um show na televisão, sabia que me era familiar. Você é um bom treinador.

- Obrigado – Agradeceu-me friamente, apertando minha mão e largando em seguida, mas seu rosto não havia mudado de expressão nem por um instante.

Se eu me lembrava bem, a Batalha da Fronteira era uma espécie de ilha aonde você ia depois de vencer ou participar da Liga Pokémon. Se eu ganhasse, eu tinha o direito de batalhar com cada cérebro da fronteira, ou melhor, os líderes de cada categoria e Thorton era um daqueles que eu mais ansiava em derrotar. Usava Pokemon alugados ou emprestados para batalhas, mas corriam rumores que possuía seu próprio time.

- Presumo que esteja aqui para batalhar, certo? – Perguntou-me Roark chamando minha atenção.

- Sim, esta livre?

- Claro, afinal eu tenho de estar livre – Comentou rindo um pouco – Bem, tome seu lugar enquanto chamo o juiz.

Concordei e comecei a me dirigir para o outro lado do campo, mas fui parada por uma mão em meu braço. Olhei para o dono da mão e deparei-me com Thorton olhando para mim com um aparelho na outra mão. Estranhei muito quando pegou aquela pequena máquina e apontou para minha cintura.

Ele deve ter percebido meu olhar de escárnio para aquilo, porque logo abaixou a máquina e colocou um pequeno sorrisinho transbordando de ironia.


- Oh, me perdoe. Eu só estava testando uma nova máquina que fiz. Estou vendo que seus Pokémon são Turtwig, Togepi e Wartotle, o que me permite dizer uma ótima combinação de time contra um oponente como Roark – Comentou sorrindo enquanto guardava aquele aparelho esquisito em um cinto especial onde parecia ser feito apenas para aquilo. Uma enorme alegria inexplicável crescia dentro de mim – Mas devo lhe aconselhar a não usar Togepi, para seu próprio bem e para o dele também.

- Posso saber por que não? – Perguntei com aborrecimento na voz.

- Ele parece ser um Pokémon muito fraco ainda, quer dizer, Togepis não são espécies feitas para batalhas e sim para colecionadores – Thorton balançou a cabeça como se não entendesse alguma coisa – Se usá-lo, com certeza perderá. Essa é a minha opinião.

Aquele comentário besta dele me deixou fula da vida. Quem era ele para me dizer que Pokémon eu poderia usar em uma batalha? Nem meu pai ousava discutir isto comigo. Limitei-me a suspirar fundo e olhar bem em seus olhos com um sorriso falso em minha face.


- Meu Togepi é forte o suficiente e você verá isso nesta batalha, portanto não se meta na minha equipe. Vou te mostrar do que ele é capaz, portanto fique e assista eu lhe dar uma lição – Disse começando a me distanciar, mas me virei com um sorrisinho no rosto – Essa é a minha opinião.

Ele não mudou sua expressão nem um minuto, apenas se limitou a subir nas arquibancadas e se sentar, assistindo eu me postar no lugar que Roark pedira.

Dois minutos depois o líder do ginásio voltara e, logo atrás dele estava outra pessoa, a qual deveria ser o juiz presumindo que se vestia como um, esperava meu oponente tomar seu lugar no campo. Aquele era o momento, a minha 1ª batalha de ginásio.



Continua...


Gabijonko



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Re: [+12] Latrone

Mensagem por Mr. Evil em Ter 22 Fev - 11:18

Teimosa haha
Irá usar um poke que acabou de capturar porcausa de um desafio quase LoL
Gostei do Rowan aparecer ...
Curioso pelo Wartotle.

É com a volta às aulas fica mais complicado mesmo ...
mas mesmo assim continue, sua fic está muito interessante õ/

Congratz Alice, a fic continua ótima.

Até o proximo capítulo, Evil

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