[+12] Latrone
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Re: [+12] Latrone
Adorei a personalidade que deu a Alice... Espero uma grande batalha do Togepi, prevejo acontecimentos imprevisiveis. Ótima e impecável, continue assim, mesmo que esporadicamente... Aguardando ansioso o próximo capítulo.

Mr. Mudkip
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Re: [+12] Latrone
Nossa, faz tempo heim! Quero agradecer pelos comentários, demorei um pouco por culpa do colégio, como já havia explicado. Estou cheia de temas para fazer, mas consegui postar mais um capítulo!
Sem mais delongas, vamos á fic!
Capítulo 5 – O Início de um Pesadelo
- Esta batalha será de três contra três, de acordo? – Nós dois concordamos com a cabeça enquanto eu espiei nosso único telespectador abaixar a cabeça em sinal de desaprovação – Ganha aquele que não possuir mais nenhum Pokémon. Prontos?
- Pronto – Afirmou Roark pegando uma Pokébola de seu bolso.
- Pronta – Afirmei largando minha mochila no chão e pegando uma Pokébola em meu bolso.
- Comecem!
- Vai Geodude! – Gritou meu rival soltando uma espécie de pedra flutuante com dois braços saindo de sua cabeça, o que aparentava ser só aquilo o seu corpo.
Peguei minha Pokedex do bolso e apontei para ele.
“Geodude, um Pokémon pedra. Este Pokémon não contém pernas limitando-se a usar a sua força magnética interior para flutuar. Costuma viver em campos e montanhas camuflados no meio ambiente. Se ninguém incomodá-lo consegue permanecer completamente imóvel, por causa disso costuma ser confundido com pedras. Sua habilidade especial é Cabeça de Pedra”
Senti uma espécie de aperto no coração ao lembrar do Pokémon sendo morto ao ser confundido com uma pedra, mas eu precisava me concentrar na luta! Peguei a primeira Pokébola de meu cinto e soltei Wartotle para o campo, fazendo meu rival assobiar.
- Wow, este vai ser difícil! – Comentou sorrindo – Mas nada que eu não dê conta! Geodude, use Arremesso de Pedra.
O Pokémon pegou algumas pedras e começo a disparar contra Wartotle.
- Use Giro rápido!
Wartotle entrou em seu casco e começou a girar no ar em alta velocidade, quebrando as pedras enquanto se aproximava de Geodude. Pensei que quando o atingisse ele estaria acabado, mas eu estava errada. Quando ele o atingiu, Geodude foi um pouco para trás e firmou-se no ar, sem se abater com aquele ataque, mas Wartotle continuou a girar contra seu corpo.
- Agarre-o e use Esmagamento de Pedra – Geodude agarrou meu Pokémon o parando com as mãos e começando a apertar seu casco, o qual despertou minha preocupação quando ouvi um pequeno “creck”.
Observei um pouco o modo como aquela pedra flutuante havia pego minha tartaruga, e acabei soltando um pequeno risinho antes de ordenar.
- Jato de água – Um instante depois uma quantidade moderada de água saiu pelo buraco que ficava de frente á Geodude, o que o fez soltar meu Pokémon e correr as mãos em seu rosto numa tentativa inútil de secar-se – Agora sim! Use Giro Rápido novamente!
Wartotle nem se deu ao trabalho de sair do casco e já estava girando mais uma vez acertando Geodude e o jogando no chão, enquanto eu ouvia uma exclamação vinda do líder do ginásio.
- Levante-se! – Gritou Roark, preocupado e apavorado.
-Não mesmo! Jato de água novamente! – Ordenei e desta vez minha tartaruga saiu do casco e acertou o Pokémon pedra que ainda estava jogado contra o chão.
Wartotle continuou até que mandei parar depois de uns 10 segundos, confirmando o que eu já sabia, Geodude estava derrotado.
- Geodude esta fora de combate, Wartotle é o vencedor! – Anunciou o juiz me fazendo sorrir com aprovação para Wartotle. Apesar de ele devolver o sorriso, seu rosto já demonstrava cansaço e seu casco apresentava uma rachadura um tanto grande. Meu bebê não duraria muito na próxima batalha.
- Muito bom! Mas vamos ver se vai conseguir o mesmo desempenho contra meu amiguinho aqui – Comentou sorrindo enquanto chamava Geodude de volta e sussurrava um pequeno “obrigado” para a pokébola e pegava outra no mesmo bolso – Vai Onix!
Da pokébola, saiu uma espécie de cobra gigante, mas ele parecia ser feito de pedra. Peguei minha Pokedex novamente e apontei para ele.
“Onix, um Pokémon serpente de pedra. Ele faz túneis pelo chão que tremem com seu rugido ensurdecedor. Ele pode se mover pelo chão a 50 km por hora. Sua habilidade especial é Cabeça de Pedra.”
Assustei-me um pouco com seu tamanho, mas quando maior é o gigante, maior era sua queda. Meu Wartotle poderia vencer ele.
- Wartotle, use Jato de Água – A boca de minha tartaruga se encheu e logo depois, um grande jato de água saiu da boca atingindo uma parte do corpo da enorme cobra, mas nada parecera o atingir.
- Use enrolar.
Momentos depois, Onix enroscou-se em Wartotle e começou a apertá-lo com uma enorme força. Minha tartaruga soltava alguns gemidos, tamanho estava sendo o aperto que o outro Pokémon fazia, eu ordenava que ele soltasse mais um Jato D’água, mas seus pulmões estavam sendo pressionados e ele não conseguia ganhar ar para produzir alguma água.
- Jogue-o para cima e use Cauda de Ferro!
O Pokémon de Roark arremessou o meu para cima como se fosse um simples objeto e logo depois, sua cauda começou a brilhar. Quando o corpo de Wartotle começara a cair, ele é atingido pela cauda de Onix e, em alta velocidade, chegou ao chão produzindo uma neblina feita de terra. Quando ela desapareceu, só consegui ver Wartotle estatelado no chão. Minha boca estava aberta, fora tudo tão rápido que eu nem ao menos tivera alguma chance.
- Wartotle está fora de combate! Onix é o vencedor – Anunciou o juiz enquanto eu recolhia meu Pokémon e agradecia a ele.
- Vamos ver o que você tem agora – Comentou meu desafiante sorrindo enquanto Onix rugia como se concordasse com ele.
Aquilo meio que me deixou com raiva, mas ela logo se dissipou por que tinha certeza que ele não falara nada daquilo por mal. Guardei a pokébola de Wartotle e peguei a segunda que estava presa e meu bolso e jogando em direção ao campo.
- Vamos lá Turtwig! – Gritei vendo meu Pokémon se libertar e soltar um pequeno rugido, encarando seu inimigo com severidade.
- Essa vai ser fácil amigão, use Enrolar! – Ordenou Roark vendo Onix se aproximar de meu Pokémon e começar a enroscá-lo e apertá-lo, mas não me desesperei desta vez porque sabia exatamente o que fazer.
- Use Absorver! – Pude ver uma pequena luz verde rodear Onix e começar a enfraquecê-lo, do nada, seu aperto começara a ficar tão fraco que simplesmente seu corpo deixou de apertar meu Turtwig, fazendo com que ele conseguisse escapar, mas continuava a absorver suas energias.
- Use Folha Navalha! – Gritei e Turtwig começou a mexer a cabeça de um lado para o outro produzindo várias folhas afiadas e acertando Onix bem no rosto, o fazendo gritar de dor – Beleza! Use mais uma vez o Absorver.
E assim ficou. Roark gritava para seu Pokémon usar o Enroscar, mas ele estava fraco demais para levantar seu corpo por culpa do Absorver e ficava cada vez mais fraco, até que o juiz percebeu que o Pokémon do líder do ginásio não tinha mais condições de continuar e anunciou.
- Onix esta fora de combate! O vencedor é Turtwig!
Yay! Mais uma batalha perfeita com meu Pokémon em perfeito estado, só faltava o Cranidos e eu saia dali com uma insígnia brilhando na minha caixinha de insígnias. Eu era mesmo muito boa.
Roark retornou seu Onix agradecendo pelo seu esforço, mas seu rosto ainda era enfeitado com um sorriso, o que me assustava. Ele tinha alguma carta na manga. Assisti-o pegar sua ultima pokebola e libertar seu Cranidos... Ou pelo menos eu achava que fosse. O que encarei não foi um dinossaurinho inofensivo, e sim uma espécie de predador que parecia estar no topo da cadeia alimentar. Era um dinossauro com o dobro do meu tamanho e algumas marcas azuis enfeitando seu corpo gigante, além de possuir uma espécie de cabeça cheia de espinhos assustadores.
Mesmo com medo de ouvir, apontei minha Pokedex para ele.
“Rampardos, um Pokémon Cabeçada. Ele é conhecido por ter o ataque mais alto, mas seus outros status são baixos. É conhecido por ter vivido na pré-história, por isso só existem clones dele. Ele é gigante e tem a cabeça tão dura quanto o metal de Registel, a pedra de Regirock e o gelo de Regice. Sua habilidade especial é Molde quebrador.
Porque ela simplesmente não falava que eu estava ferrada ou que era melhor eu sair correndo? O ataque mais alto? Fala sério! Suspirei tentando me acalmar e me preparei para a batalha. Não seria fácil, mas eu não admitia uma derrota sem antes tentar.
- Esta tudo bem ai? – O juiz me perguntou e eu concordei meio trêmula – Certo então, comecem!
- Rampardos, use Rosto Apavorado! – Do nada, aquele Pokémon parecia estar mais assustador do que antes e meu Turtwig pareceu perceber isso também, porque havia se encolhido todo. Não! Eu tinha que ser forte por ele!
- Não se assuste garoto, acerte-o com Folha Navalha – Deixando o medo de lado, ele começou a mexer a cabeça lançando varias folhas na direção do dinossauro.
- Evasiva e Cabeçada Zen!
Rampardos desviou-se das folhas a tempo e, do nada, sua cabeça começou a brilhar e ele começou a correr em direção do meu Pokémon. Devo dizer que não deu tempo de mandar Turtwig desviar-se, o que resultou no meu Pokémon ser jogado no chão com uma violência que me assustou.
- Turtwig! Tudo bem? – Perguntei vendo ele se levantar com muita dificuldade, eu precisava de um jeito dele se aproximar do Rampardos e usar Absorver – Ok Turtwig, fique parado e aguarde.
Ele me obedeceu e não se moveu nem um pouco, até porque acho que não conseguiria por culpa do ultimo ataque. Roark ordenou que seu Pokémon usasse a Cabeçada Zen mais uma vez e novamente vi Rampardos começar a correr na direção de Turtwig com a cabeça inclinada para frente e brilhando. Quando estava bem perto, gritei.
- Evasiva e se agarre no rabo dele – Meu Pokémon conseguiu desviar-se por pouco e se agarrou a enorme cauda do outro, fazendo Rampardos parar na mesma hora e começar a balançá-la – Absorver.
Rampardos pareceu não gostar muito daquilo, pois soltara um enorme rugido e começara a balançar a cauda com uma raiva descomunal. Confesso que aquilo me assustou um pouco, mas me acalmei ao ver Turtwig fortemente agarrado no rabo dele sem se preocupar enquanto o outro parava de balançar pouco a pouco, ficando cada vez mais fraco e cansado.
Ordenei a minha tartaruga que o solta-se e usasse o Folha Navalha, mas acho que não fora a melhor escolha. Logo que o aperto se desfez, Rampardos acertou com sua enorme cauda bem no rosto de Turtwig o fazendo voar para o outro lado do campo. Aquilo era muito ruim.
- Levante-se e use Folha Navalha – Gritei vendo meu Pokémon se levantar bem lentamente.
- Cabeçada Zen – Ordenou Roark sem nenhum vestígio de preocupação.
Os dois ataques acabaram se colidindo, mas apenas um saiu vencedor. As Folhas Navalhas de Turtwig acabaram por bater na cabeça de Rampardos que corria em alta velocidade em sua direção, mas assim que colidiam elas acabavam perdendo completamente a velocidade e caíam no chão como se fossem folhas normais. O resultado foi que mais uma vez Turtwig era acertado no estomago pela cabeça brilhante de Rampardos, mas dessa vez ele fora jogado contra a parede. Anunciando sua derrota.
- Turtwig esta fora de combate, o vencedor é Rampardos! – Gritou o juiz enquanto eu retornava meu Pokémon para a pokebola e agradecia a ele.
Só me restava um Pokémon e, infelizmente, era Togepi. Peguei sua pokébola e encarei a figura reduzida e sorridente como se estivesse feliz em me ver. Sorri de volta, mas meu sorriso acabou morrendo ao encarar Thorton que me fitava seriamente, como se esperasse uma decisão de minha parte. E se ele estivesse certo? Podia ser um idiota com cara de esnobe que se achava superior a todos, mas ele era um cérebro da fronteira e ainda parecia seguro de tudo que falava. Eu não podia simplesmente ignorar seus conselhos.
Mas eu também não podia perder. Soltei Togepi e o vi com uma alegria contagiosa, assim como Turtwig, mas ela desapareceu ao encarar Rampardos. Até hoje me lembro do que vi, meu pequeno ovinho começou a tremer e choramingar, como um bebê. Ele correu até mim e estendeu os bracinhos como pedindo colo. Me cortou o coração ver aquilo e acabei o pegando no colo e o ninando.
Eu não podia fazer aquilo.
Encarei Roark que me olhava meio surpreso e eu simplesmente balancei a cabeça, o que me pareceu que ele entendera.
- Eu... Desisto – Anunciei ainda ninando o pequeno Pokémon que chorava baixinho, e me virei para o juiz – Meu Pokémon não esta em condições de lutar.
- Neste caso, a vitória vai para Roark – Disse o juiz, finalizando a batalha.
Roark se aproximou com um sorriso meio reconfortante enquanto eu colocava um pequeno beijo no topo da cabeça de Togepi e o botava novamente na pokebola. Tamanha foi minha surpresa ao ver ele me estender uma espécie de insígnia. A insígnia Carvão.
- O que é isso? – Perguntei meio surpresa, era alguma piada de mau gosto?
- É a sua insígnia – Respondeu pegando meu pulso e colocando ela na minha mão.
- Mas eu não ganhei, não tenho direito de...
- Pode não ter ganhado, mas demonstrou um grande respeito pelos Pokémon quando desistiu da batalha ao perceber o medo de seu Togepi. Foi solidária e não queria ver seu Pokémon machucado – Explicou ele colocando um sorriso alegre no rosto – Meu trabalho não é só batalhar contra os treinadores iniciantes, mas também ver se estão qualificados para a Liga Pokémon. Tens um grande coração e é forte, por isso mesmo estou te dando esta insígnia. Além disso, se Turtwig tivesse treinado um pouco mais, com certeza venceria meu Rampardos!
Pensei em recusar novamente, mas seu sorriso era tão contagiante que acabei sorrindo também e peguei minha mochila abrindo o bolsinho de fora e tirando a caixinha de dentro dele. Abri e coloquei minha primeira insígnia.
- Minha primeira insígnia – Comentei pra mim mesma fechando a caixinha e encarando Roark – Muito obrigada!
- Agradeça aos seus Pokémon – Disse ele olhando Thorton que se aproximava – Antes de vocês irem embora, eu gostaria de comentar algumas coisas que é do interesse dos dois. Queiram me acompanhar.
O líder do ginásio retornou com o enorme Rampardos para a pokébola e pediu para que nós o seguisse para fora do ginásio, mas antes se aproximou com o juiz e pediu que fechasse o ginásio ate ele retornar. Saímos de lá e nos dirigimos à enorme caverna. Desta vez eu não estava tão assustada como antes, afinal eu tinha Roark me acompanhando e parecia que ele conhecia aquela caverna de cor.
Ele pediu que esperássemos um pouco e começou a se distanciar. Fiquei sozinha ali junto de Thorton. Começamos a andar de um lado para o outro sem falar nada, aquele silencio se estendeu até ele se virar para mim e perguntar.
- Está tudo bem com Togepi?
Parei de andar e o encarei completamente surpresa com sua preocupação pelo meu Pokémon. Acho que ele não era um garoto tão idiota e esnobe assim.
- Sim, vai se recuperar – Respondi me aproximando dele enquanto coçava minha nuca, um pouco sem graça – Olha só, eu... Desculpe-me por ter sido grossa com você quando me aconselhou a não usar o Togepi.
- Não tem problema.
Depois dessa pequena conversa, Roark reapareceu com duas pequenas caixinhas em cada mão e com seu costumeiro sorriso no rosto. Estranhei quando ele me estendeu uma das caixas e colocou a outra no chão.
- Vocês dois já devem estar sabendo sobre os fantasmas que andam aparecendo por aqui, certo? – Eu e Thorton concordamos – Bem, acho que tudo isso é uma pequena brincadeirinha de mau gosto de alguém. Esse Geodude pode ter sido fruto de algum holograma ou coisa parecida, portanto quero pedir aos dois que me ajudem a procurar algum tipo de maquina que explique a aparição dessa figura fantasmagórica.
Thorton pareceu concordar, mas eu fiquei meio hesitante com tudo aquilo. E se os Pokémon realmente não estivessem passando para o outro lado? Nós estaríamos perdendo tempo tentando achar algo que não existia. Mas o que eu podia fazer? Era melhor dar uma olhada para ver se Roark tinha razão ou não. Alcancei para Thorton a pequena caixa, mas quando fui pegar a que estava no chão o líder acabara se agachando rapidamente e pegou ela antes de mim.
- Sinto dizer que só possuo dois kits de escavação, portanto vocês dois terão de dividir um. Levem esse Walktalk – Explicou dando o pequeno aparelho de comunicação para mim e virando as costas logo depois.
- Mas por que precisamos de kit de escavação? Não vamos só procurar uma máquina? – Perguntei assistindo ele se distanciar.
- Ela pode estar enterrada!
Sua figura acabara por desaparecer mais adiante e agora eu me via sozinha novamente com um dos cérebros da Fronteira. Suspirei fundo e me virei para conversar com meu companheiro, mas ele já havia ganhado distância. Gritei que esperasse, mas ele continuou andando.
Ficamos em silêncio enquanto entrávamos cada vez mais dentro daquela caverna, por alguma razão eu sentia que alguma coisa ruim estava para acontecer. Comecei a olhar pelos lados até que um brilho chamou minha atenção, parei de andar e me agachei de frente a uma parede a minha direita largando o Walktalk, onde vi uma espécie de pedra meio verde com um raio desenhado nela. Eu conhecia aquela pedra, era a Pedra do Trovão! E estava cravada na parede como se esperando que eu a pegasse.
Tentei puxá-la com dois dos meus dedos, mas ela estava bem presa na parede, parecia que eu precisava amaciar a terra e eu já sabia como eu faria aquilo. Peguei a Pokébola de Wartotle e o libertei dela, ele estava já de pé, mas eu duvidava muito que ele fosse agüentar muito. Pedi para ele lançar um pequeno Jato D’água na pedra para que a terra em volta dela amolecesse e ficasse mais fácil pegá-la sem causar nenhum dano. Meu Pokémon atendeu meu pedido e lançou uma fina linha de água em volta da pedra. Pouco a pouco ela foi escorregando até cair no chão, por sorte as paredes daquela caverna eram feitas de um tipo de terra fofa.
Agradeci á minha tartaruga e coloquei-a novamente na Pokébola. Peguei a pedra e limpei-a um pouco com minhas mãos antes de colocar na minha mochila. Levantei-me e comecei a andar a fim de encontrar Thorton antes que eu me perdesse mais ainda. Mas à medida que eu penetrava cada vez mais naquela escuridão, mais meu desespero aumentava. Não havia nenhum sinal de meu companheiro por perto. Deus, só ele sabe como eu sentia falta de ouvir a voz daquele arrogante esnobe.
Parei um pouco de andar, de que adiantava continuar se eu nem fazia idéia de onde ele estava? Aqueles túneis, em certos lugares, se dividiam em três alternativas de escolha: ou eu ia para a esquerda, direita ou continuava em frente. No final, eu ficaria ainda mais perdida que o normal. Tentei me comunicar com Roark através do Walktalk, mas parecia que eu havia entrado em uma área que interferia na nossa comunicação. Sentei um pouco no chão e fiquei ali acho que uns cinco minutos antes de ouvir um barulho vindo na minha frente.
- Até que enfim você apareceu! Não sabe como... – Minha frase morreu ao perceber com quem estava falando.
O que tinha na minha frente não era Thorton, e sim o fantasma de um Geodude. Mesmo ele sendo um Geodude comum, seu corpo estava completamente transparente e seus olhos não eram negros, e sim vermelhos em um tom que dava medo só de olhar. Parecia zangado com alguma coisa e, naquela hora, pensei que fosse comigo. Não consegui sair correndo, parecia que as minhas pernas não me obedeciam, o que me deixavam a mercê daquele fantasma. Olhei para os lados a procura de alguma máquina que justificasse aquela aparição, mas para minha infelicidade, só havia pedras e terra. Aquela coisa era real.
Ele se aproximava cada vez mais com uma de suas mãos estendidas, como se quisesse me pegar. Estava sem saída. Não podia chamar meus Pokémon porque estavam feridos. O Walktalk não funcionava, Thorton não estava por perto para me ajudar e eu duvidava muito que eu estivesse em condições de levantar e sair correndo. Acabei por fechar os olhos e esperar o pior.
- Pulso das Trevas – Ouvi alguém dizer e segundos depois tive coragem de abrir os olhos e me deparar com uma espécie de gato preto na minha frente e com o fantasma em uma distancia segura.
Percebi que era Thorton quando se ajoelhou ao meu lado com uma mão em meu ombro me perguntando se estava bem. Não respondi por que ainda estava em choque com tudo aquilo, apenas encarei o fantasma que parecia perceber o perigo de ficar ali e começara e desaparecer pouco a pouco, mas pude perceber seu olhar... Triste... Como se pedisse ajuda.
Foi sumindo até que não havia mais nenhum rastro seu.
- Que coisa mais esquisita – Comentou o garoto ao meu lado que agora tentava me levantar – Ele já foi embora, pode levantar agora.
- Não... Consigo – Comentei quase sem voz enquanto o gato preto, que eu presumia ser de Thorton, me cheirava como se verificasse se estava tudo bem.
- Certo – Ele disse pegando outra pokebola e libertando outro Pokémon.
Ele era uma espécie de disco com dois olhos vermelhos e dois braços saindo do que devia ser sua cabeça, os dedos eram três coisas pontiagudas e no meio de seu rosto havia um chifre, sua cor era azul, mas seus detalhes eram de cor cinza. Estranhei muito sua forma, mas não deixava de ser um bonitinho. Ele flutuava no ar já que não possuía pernas.
- Preciso de ajuda aqui Metang – Pediu Thorton me pegando no colo e colocando-me na cabeça daquele Pokémon – Consegue carregá-la?
Ele pareceu concordar já que começou a se mover sem nenhuma dificuldade, o que me aliviou um pouco saber que eu não era tão gorda quanto achava. Meu companheiro parecia estar consertando o Walktalk já que mexia nele com o kit que Roark havia nos dado, como se soubesse o que estava fazendo.
- Ob... Obrigada – Agradeci a Thorton com a voz já recuperada e me inclinei um pouco para frente encarando o tal Metang – E a você também Metang.
Ele soltou um estranho barulho como se estivesse dizendo um “de nada”. Sorri e olhei novamente para frente, mas encarei o garoto ao meu lado que parecia ter consertado o pequeno aparelho já que eu o ouvia ele falando com Roark. Alguns minutos depois encontrei o líder nos esperando na entrada da caverna com um rosto preocupado.
Perguntou se estava bem com nós dois e Thorton respondeu que sim, só que precisávamos descansar um pouco no centro Pokémon. Quando chegamos lá, sai de cima de Metang e agradeci mais uma vez antes dele voltar para a pokebola. Eu e Roark deixamos nossos Pokémon com a enfermeira Joy e nos juntamos a Thorton que estava sentado em algumas cadeiras.
- O que houve? – Perguntou Roark para mim, quase desesperado.
- Vi o fantasma que me falou – Comentei meio trêmula – Foi assustador!
- Havia alguma máquina em volta ou algo que explicasse a existência da figura? – Neguei a cabeça fazendo Roark retirar o capacete vermelho e soltar um suspiro cansado – Céus, o que esta acontecendo?
- Ainda não sabemos, só que o que esta desencadeando o aparecimento destes Pokémon não é nenhuma brincadeira.
- Então os fantasmas são reais, mas não podemos fazer nada a respeito? – Perguntei á Thorton como se fosse louco – Tem de ter alguém por trás disso mexendo em algum tipo de equilíbrio.
- Não podemos tirar conclusões precipitadas levando em conta que ainda não sabemos de nada - Rebateu virando seu rosto para o lado - Outra coisa esquisita é que os ataques obscuros conseguem repeli-los, por alguma razão aquele Geodude teve medo do Pulso das Trevas de meu Umbreon.
- É verdade, mas antes de desaparecer, notei que ele tinha uma expressão triste, como se estivesse pedindo ajuda, sabe?
- Acho melhor você descansar um pouco Alice, toda esta história deve ter te assustado ou coisa parecida – Comentou Roark colocando o chapéu.
- Eu sei o que vi! – Insisti irritada, agora seria tachada de louca!
- E eu não duvido disso, mas já é tarde e você passou por um momento traumático além de uma batalha de ginásio, deve estar exausta! – Explicou afagando minha cabeça – Não duvido do que viu, alias, pode me ajudar na investigação!
Sorri, feliz por ter sido levada á sério. Logo depois, despedi-me de Roark e pedi um quarto para a enfermeira Joy, além de um pouco de comida Pokémon para meu Togepi. Ela me entregou uma tigela de comida junto com uma chave. Andei por um corredor ao lado do balcão da enfermeira e, depois de um tempo, encontrei meu quarto e entrei nele.
Tirei Togepi da pokebola e fiquei o observando comer sua comida, depois o peguei no colo e apaguei a luz indo até a minha cama e deitando nela. Só então me dei conta que não havia ligado para meu pai como havia prometido a mim mesma, mas era melhor assim: quanto menos ele soubesse no que eu estava começando a me envolver, menos preocupado ele ficaria. Aquela história de fantasmas estava começando a parecer um terrível pesadelo no qual eu implorava para acordar.
Fui pouco a pouco caindo no sono assim como meu Pokémon. Mal sabia eu que já estava envolvida em muita coisa além daqueles problemas com fantasmas. Suspirei cansada... Meu pesadelo mal havia começado.
Continua...
Bom, é aqui em que a história começa a esquentar crianças! Alguns podem ter ficado desapontados com o modo da Alice ganhar sua primeira insígnia, mas é a vida. Para mim, um treinador não é medido por sua força, mas sim por seus atos e seu amor por seus Pokémon.
Assim, me despeço de vocês! Até o próximo capítulo!
Beijos...
Alice
Sem mais delongas, vamos á fic!
Capítulo 5 – O Início de um Pesadelo
- Esta batalha será de três contra três, de acordo? – Nós dois concordamos com a cabeça enquanto eu espiei nosso único telespectador abaixar a cabeça em sinal de desaprovação – Ganha aquele que não possuir mais nenhum Pokémon. Prontos?
- Pronto – Afirmou Roark pegando uma Pokébola de seu bolso.
- Pronta – Afirmei largando minha mochila no chão e pegando uma Pokébola em meu bolso.
- Comecem!
- Vai Geodude! – Gritou meu rival soltando uma espécie de pedra flutuante com dois braços saindo de sua cabeça, o que aparentava ser só aquilo o seu corpo.
Peguei minha Pokedex do bolso e apontei para ele.
“Geodude, um Pokémon pedra. Este Pokémon não contém pernas limitando-se a usar a sua força magnética interior para flutuar. Costuma viver em campos e montanhas camuflados no meio ambiente. Se ninguém incomodá-lo consegue permanecer completamente imóvel, por causa disso costuma ser confundido com pedras. Sua habilidade especial é Cabeça de Pedra”
Senti uma espécie de aperto no coração ao lembrar do Pokémon sendo morto ao ser confundido com uma pedra, mas eu precisava me concentrar na luta! Peguei a primeira Pokébola de meu cinto e soltei Wartotle para o campo, fazendo meu rival assobiar.
- Wow, este vai ser difícil! – Comentou sorrindo – Mas nada que eu não dê conta! Geodude, use Arremesso de Pedra.
O Pokémon pegou algumas pedras e começo a disparar contra Wartotle.
- Use Giro rápido!
Wartotle entrou em seu casco e começou a girar no ar em alta velocidade, quebrando as pedras enquanto se aproximava de Geodude. Pensei que quando o atingisse ele estaria acabado, mas eu estava errada. Quando ele o atingiu, Geodude foi um pouco para trás e firmou-se no ar, sem se abater com aquele ataque, mas Wartotle continuou a girar contra seu corpo.
- Agarre-o e use Esmagamento de Pedra – Geodude agarrou meu Pokémon o parando com as mãos e começando a apertar seu casco, o qual despertou minha preocupação quando ouvi um pequeno “creck”.
Observei um pouco o modo como aquela pedra flutuante havia pego minha tartaruga, e acabei soltando um pequeno risinho antes de ordenar.
- Jato de água – Um instante depois uma quantidade moderada de água saiu pelo buraco que ficava de frente á Geodude, o que o fez soltar meu Pokémon e correr as mãos em seu rosto numa tentativa inútil de secar-se – Agora sim! Use Giro Rápido novamente!
Wartotle nem se deu ao trabalho de sair do casco e já estava girando mais uma vez acertando Geodude e o jogando no chão, enquanto eu ouvia uma exclamação vinda do líder do ginásio.
- Levante-se! – Gritou Roark, preocupado e apavorado.
-Não mesmo! Jato de água novamente! – Ordenei e desta vez minha tartaruga saiu do casco e acertou o Pokémon pedra que ainda estava jogado contra o chão.
Wartotle continuou até que mandei parar depois de uns 10 segundos, confirmando o que eu já sabia, Geodude estava derrotado.
- Geodude esta fora de combate, Wartotle é o vencedor! – Anunciou o juiz me fazendo sorrir com aprovação para Wartotle. Apesar de ele devolver o sorriso, seu rosto já demonstrava cansaço e seu casco apresentava uma rachadura um tanto grande. Meu bebê não duraria muito na próxima batalha.
- Muito bom! Mas vamos ver se vai conseguir o mesmo desempenho contra meu amiguinho aqui – Comentou sorrindo enquanto chamava Geodude de volta e sussurrava um pequeno “obrigado” para a pokébola e pegava outra no mesmo bolso – Vai Onix!
Da pokébola, saiu uma espécie de cobra gigante, mas ele parecia ser feito de pedra. Peguei minha Pokedex novamente e apontei para ele.
“Onix, um Pokémon serpente de pedra. Ele faz túneis pelo chão que tremem com seu rugido ensurdecedor. Ele pode se mover pelo chão a 50 km por hora. Sua habilidade especial é Cabeça de Pedra.”
Assustei-me um pouco com seu tamanho, mas quando maior é o gigante, maior era sua queda. Meu Wartotle poderia vencer ele.
- Wartotle, use Jato de Água – A boca de minha tartaruga se encheu e logo depois, um grande jato de água saiu da boca atingindo uma parte do corpo da enorme cobra, mas nada parecera o atingir.
- Use enrolar.
Momentos depois, Onix enroscou-se em Wartotle e começou a apertá-lo com uma enorme força. Minha tartaruga soltava alguns gemidos, tamanho estava sendo o aperto que o outro Pokémon fazia, eu ordenava que ele soltasse mais um Jato D’água, mas seus pulmões estavam sendo pressionados e ele não conseguia ganhar ar para produzir alguma água.
- Jogue-o para cima e use Cauda de Ferro!
O Pokémon de Roark arremessou o meu para cima como se fosse um simples objeto e logo depois, sua cauda começou a brilhar. Quando o corpo de Wartotle começara a cair, ele é atingido pela cauda de Onix e, em alta velocidade, chegou ao chão produzindo uma neblina feita de terra. Quando ela desapareceu, só consegui ver Wartotle estatelado no chão. Minha boca estava aberta, fora tudo tão rápido que eu nem ao menos tivera alguma chance.
- Wartotle está fora de combate! Onix é o vencedor – Anunciou o juiz enquanto eu recolhia meu Pokémon e agradecia a ele.
- Vamos ver o que você tem agora – Comentou meu desafiante sorrindo enquanto Onix rugia como se concordasse com ele.
Aquilo meio que me deixou com raiva, mas ela logo se dissipou por que tinha certeza que ele não falara nada daquilo por mal. Guardei a pokébola de Wartotle e peguei a segunda que estava presa e meu bolso e jogando em direção ao campo.
- Vamos lá Turtwig! – Gritei vendo meu Pokémon se libertar e soltar um pequeno rugido, encarando seu inimigo com severidade.
- Essa vai ser fácil amigão, use Enrolar! – Ordenou Roark vendo Onix se aproximar de meu Pokémon e começar a enroscá-lo e apertá-lo, mas não me desesperei desta vez porque sabia exatamente o que fazer.
- Use Absorver! – Pude ver uma pequena luz verde rodear Onix e começar a enfraquecê-lo, do nada, seu aperto começara a ficar tão fraco que simplesmente seu corpo deixou de apertar meu Turtwig, fazendo com que ele conseguisse escapar, mas continuava a absorver suas energias.
- Use Folha Navalha! – Gritei e Turtwig começou a mexer a cabeça de um lado para o outro produzindo várias folhas afiadas e acertando Onix bem no rosto, o fazendo gritar de dor – Beleza! Use mais uma vez o Absorver.
E assim ficou. Roark gritava para seu Pokémon usar o Enroscar, mas ele estava fraco demais para levantar seu corpo por culpa do Absorver e ficava cada vez mais fraco, até que o juiz percebeu que o Pokémon do líder do ginásio não tinha mais condições de continuar e anunciou.
- Onix esta fora de combate! O vencedor é Turtwig!
Yay! Mais uma batalha perfeita com meu Pokémon em perfeito estado, só faltava o Cranidos e eu saia dali com uma insígnia brilhando na minha caixinha de insígnias. Eu era mesmo muito boa.
Roark retornou seu Onix agradecendo pelo seu esforço, mas seu rosto ainda era enfeitado com um sorriso, o que me assustava. Ele tinha alguma carta na manga. Assisti-o pegar sua ultima pokebola e libertar seu Cranidos... Ou pelo menos eu achava que fosse. O que encarei não foi um dinossaurinho inofensivo, e sim uma espécie de predador que parecia estar no topo da cadeia alimentar. Era um dinossauro com o dobro do meu tamanho e algumas marcas azuis enfeitando seu corpo gigante, além de possuir uma espécie de cabeça cheia de espinhos assustadores.
Mesmo com medo de ouvir, apontei minha Pokedex para ele.
“Rampardos, um Pokémon Cabeçada. Ele é conhecido por ter o ataque mais alto, mas seus outros status são baixos. É conhecido por ter vivido na pré-história, por isso só existem clones dele. Ele é gigante e tem a cabeça tão dura quanto o metal de Registel, a pedra de Regirock e o gelo de Regice. Sua habilidade especial é Molde quebrador.
Porque ela simplesmente não falava que eu estava ferrada ou que era melhor eu sair correndo? O ataque mais alto? Fala sério! Suspirei tentando me acalmar e me preparei para a batalha. Não seria fácil, mas eu não admitia uma derrota sem antes tentar.
- Esta tudo bem ai? – O juiz me perguntou e eu concordei meio trêmula – Certo então, comecem!
- Rampardos, use Rosto Apavorado! – Do nada, aquele Pokémon parecia estar mais assustador do que antes e meu Turtwig pareceu perceber isso também, porque havia se encolhido todo. Não! Eu tinha que ser forte por ele!
- Não se assuste garoto, acerte-o com Folha Navalha – Deixando o medo de lado, ele começou a mexer a cabeça lançando varias folhas na direção do dinossauro.
- Evasiva e Cabeçada Zen!
Rampardos desviou-se das folhas a tempo e, do nada, sua cabeça começou a brilhar e ele começou a correr em direção do meu Pokémon. Devo dizer que não deu tempo de mandar Turtwig desviar-se, o que resultou no meu Pokémon ser jogado no chão com uma violência que me assustou.
- Turtwig! Tudo bem? – Perguntei vendo ele se levantar com muita dificuldade, eu precisava de um jeito dele se aproximar do Rampardos e usar Absorver – Ok Turtwig, fique parado e aguarde.
Ele me obedeceu e não se moveu nem um pouco, até porque acho que não conseguiria por culpa do ultimo ataque. Roark ordenou que seu Pokémon usasse a Cabeçada Zen mais uma vez e novamente vi Rampardos começar a correr na direção de Turtwig com a cabeça inclinada para frente e brilhando. Quando estava bem perto, gritei.
- Evasiva e se agarre no rabo dele – Meu Pokémon conseguiu desviar-se por pouco e se agarrou a enorme cauda do outro, fazendo Rampardos parar na mesma hora e começar a balançá-la – Absorver.
Rampardos pareceu não gostar muito daquilo, pois soltara um enorme rugido e começara a balançar a cauda com uma raiva descomunal. Confesso que aquilo me assustou um pouco, mas me acalmei ao ver Turtwig fortemente agarrado no rabo dele sem se preocupar enquanto o outro parava de balançar pouco a pouco, ficando cada vez mais fraco e cansado.
Ordenei a minha tartaruga que o solta-se e usasse o Folha Navalha, mas acho que não fora a melhor escolha. Logo que o aperto se desfez, Rampardos acertou com sua enorme cauda bem no rosto de Turtwig o fazendo voar para o outro lado do campo. Aquilo era muito ruim.
- Levante-se e use Folha Navalha – Gritei vendo meu Pokémon se levantar bem lentamente.
- Cabeçada Zen – Ordenou Roark sem nenhum vestígio de preocupação.
Os dois ataques acabaram se colidindo, mas apenas um saiu vencedor. As Folhas Navalhas de Turtwig acabaram por bater na cabeça de Rampardos que corria em alta velocidade em sua direção, mas assim que colidiam elas acabavam perdendo completamente a velocidade e caíam no chão como se fossem folhas normais. O resultado foi que mais uma vez Turtwig era acertado no estomago pela cabeça brilhante de Rampardos, mas dessa vez ele fora jogado contra a parede. Anunciando sua derrota.
- Turtwig esta fora de combate, o vencedor é Rampardos! – Gritou o juiz enquanto eu retornava meu Pokémon para a pokebola e agradecia a ele.
Só me restava um Pokémon e, infelizmente, era Togepi. Peguei sua pokébola e encarei a figura reduzida e sorridente como se estivesse feliz em me ver. Sorri de volta, mas meu sorriso acabou morrendo ao encarar Thorton que me fitava seriamente, como se esperasse uma decisão de minha parte. E se ele estivesse certo? Podia ser um idiota com cara de esnobe que se achava superior a todos, mas ele era um cérebro da fronteira e ainda parecia seguro de tudo que falava. Eu não podia simplesmente ignorar seus conselhos.
Mas eu também não podia perder. Soltei Togepi e o vi com uma alegria contagiosa, assim como Turtwig, mas ela desapareceu ao encarar Rampardos. Até hoje me lembro do que vi, meu pequeno ovinho começou a tremer e choramingar, como um bebê. Ele correu até mim e estendeu os bracinhos como pedindo colo. Me cortou o coração ver aquilo e acabei o pegando no colo e o ninando.
Eu não podia fazer aquilo.
Encarei Roark que me olhava meio surpreso e eu simplesmente balancei a cabeça, o que me pareceu que ele entendera.
- Eu... Desisto – Anunciei ainda ninando o pequeno Pokémon que chorava baixinho, e me virei para o juiz – Meu Pokémon não esta em condições de lutar.
- Neste caso, a vitória vai para Roark – Disse o juiz, finalizando a batalha.
Roark se aproximou com um sorriso meio reconfortante enquanto eu colocava um pequeno beijo no topo da cabeça de Togepi e o botava novamente na pokebola. Tamanha foi minha surpresa ao ver ele me estender uma espécie de insígnia. A insígnia Carvão.
- O que é isso? – Perguntei meio surpresa, era alguma piada de mau gosto?
- É a sua insígnia – Respondeu pegando meu pulso e colocando ela na minha mão.
- Mas eu não ganhei, não tenho direito de...
- Pode não ter ganhado, mas demonstrou um grande respeito pelos Pokémon quando desistiu da batalha ao perceber o medo de seu Togepi. Foi solidária e não queria ver seu Pokémon machucado – Explicou ele colocando um sorriso alegre no rosto – Meu trabalho não é só batalhar contra os treinadores iniciantes, mas também ver se estão qualificados para a Liga Pokémon. Tens um grande coração e é forte, por isso mesmo estou te dando esta insígnia. Além disso, se Turtwig tivesse treinado um pouco mais, com certeza venceria meu Rampardos!
Pensei em recusar novamente, mas seu sorriso era tão contagiante que acabei sorrindo também e peguei minha mochila abrindo o bolsinho de fora e tirando a caixinha de dentro dele. Abri e coloquei minha primeira insígnia.
- Minha primeira insígnia – Comentei pra mim mesma fechando a caixinha e encarando Roark – Muito obrigada!
- Agradeça aos seus Pokémon – Disse ele olhando Thorton que se aproximava – Antes de vocês irem embora, eu gostaria de comentar algumas coisas que é do interesse dos dois. Queiram me acompanhar.
O líder do ginásio retornou com o enorme Rampardos para a pokébola e pediu para que nós o seguisse para fora do ginásio, mas antes se aproximou com o juiz e pediu que fechasse o ginásio ate ele retornar. Saímos de lá e nos dirigimos à enorme caverna. Desta vez eu não estava tão assustada como antes, afinal eu tinha Roark me acompanhando e parecia que ele conhecia aquela caverna de cor.
Ele pediu que esperássemos um pouco e começou a se distanciar. Fiquei sozinha ali junto de Thorton. Começamos a andar de um lado para o outro sem falar nada, aquele silencio se estendeu até ele se virar para mim e perguntar.
- Está tudo bem com Togepi?
Parei de andar e o encarei completamente surpresa com sua preocupação pelo meu Pokémon. Acho que ele não era um garoto tão idiota e esnobe assim.
- Sim, vai se recuperar – Respondi me aproximando dele enquanto coçava minha nuca, um pouco sem graça – Olha só, eu... Desculpe-me por ter sido grossa com você quando me aconselhou a não usar o Togepi.
- Não tem problema.
Depois dessa pequena conversa, Roark reapareceu com duas pequenas caixinhas em cada mão e com seu costumeiro sorriso no rosto. Estranhei quando ele me estendeu uma das caixas e colocou a outra no chão.
- Vocês dois já devem estar sabendo sobre os fantasmas que andam aparecendo por aqui, certo? – Eu e Thorton concordamos – Bem, acho que tudo isso é uma pequena brincadeirinha de mau gosto de alguém. Esse Geodude pode ter sido fruto de algum holograma ou coisa parecida, portanto quero pedir aos dois que me ajudem a procurar algum tipo de maquina que explique a aparição dessa figura fantasmagórica.
Thorton pareceu concordar, mas eu fiquei meio hesitante com tudo aquilo. E se os Pokémon realmente não estivessem passando para o outro lado? Nós estaríamos perdendo tempo tentando achar algo que não existia. Mas o que eu podia fazer? Era melhor dar uma olhada para ver se Roark tinha razão ou não. Alcancei para Thorton a pequena caixa, mas quando fui pegar a que estava no chão o líder acabara se agachando rapidamente e pegou ela antes de mim.
- Sinto dizer que só possuo dois kits de escavação, portanto vocês dois terão de dividir um. Levem esse Walktalk – Explicou dando o pequeno aparelho de comunicação para mim e virando as costas logo depois.
- Mas por que precisamos de kit de escavação? Não vamos só procurar uma máquina? – Perguntei assistindo ele se distanciar.
- Ela pode estar enterrada!
Sua figura acabara por desaparecer mais adiante e agora eu me via sozinha novamente com um dos cérebros da Fronteira. Suspirei fundo e me virei para conversar com meu companheiro, mas ele já havia ganhado distância. Gritei que esperasse, mas ele continuou andando.
Ficamos em silêncio enquanto entrávamos cada vez mais dentro daquela caverna, por alguma razão eu sentia que alguma coisa ruim estava para acontecer. Comecei a olhar pelos lados até que um brilho chamou minha atenção, parei de andar e me agachei de frente a uma parede a minha direita largando o Walktalk, onde vi uma espécie de pedra meio verde com um raio desenhado nela. Eu conhecia aquela pedra, era a Pedra do Trovão! E estava cravada na parede como se esperando que eu a pegasse.
Tentei puxá-la com dois dos meus dedos, mas ela estava bem presa na parede, parecia que eu precisava amaciar a terra e eu já sabia como eu faria aquilo. Peguei a Pokébola de Wartotle e o libertei dela, ele estava já de pé, mas eu duvidava muito que ele fosse agüentar muito. Pedi para ele lançar um pequeno Jato D’água na pedra para que a terra em volta dela amolecesse e ficasse mais fácil pegá-la sem causar nenhum dano. Meu Pokémon atendeu meu pedido e lançou uma fina linha de água em volta da pedra. Pouco a pouco ela foi escorregando até cair no chão, por sorte as paredes daquela caverna eram feitas de um tipo de terra fofa.
Agradeci á minha tartaruga e coloquei-a novamente na Pokébola. Peguei a pedra e limpei-a um pouco com minhas mãos antes de colocar na minha mochila. Levantei-me e comecei a andar a fim de encontrar Thorton antes que eu me perdesse mais ainda. Mas à medida que eu penetrava cada vez mais naquela escuridão, mais meu desespero aumentava. Não havia nenhum sinal de meu companheiro por perto. Deus, só ele sabe como eu sentia falta de ouvir a voz daquele arrogante esnobe.
Parei um pouco de andar, de que adiantava continuar se eu nem fazia idéia de onde ele estava? Aqueles túneis, em certos lugares, se dividiam em três alternativas de escolha: ou eu ia para a esquerda, direita ou continuava em frente. No final, eu ficaria ainda mais perdida que o normal. Tentei me comunicar com Roark através do Walktalk, mas parecia que eu havia entrado em uma área que interferia na nossa comunicação. Sentei um pouco no chão e fiquei ali acho que uns cinco minutos antes de ouvir um barulho vindo na minha frente.
- Até que enfim você apareceu! Não sabe como... – Minha frase morreu ao perceber com quem estava falando.
O que tinha na minha frente não era Thorton, e sim o fantasma de um Geodude. Mesmo ele sendo um Geodude comum, seu corpo estava completamente transparente e seus olhos não eram negros, e sim vermelhos em um tom que dava medo só de olhar. Parecia zangado com alguma coisa e, naquela hora, pensei que fosse comigo. Não consegui sair correndo, parecia que as minhas pernas não me obedeciam, o que me deixavam a mercê daquele fantasma. Olhei para os lados a procura de alguma máquina que justificasse aquela aparição, mas para minha infelicidade, só havia pedras e terra. Aquela coisa era real.
Ele se aproximava cada vez mais com uma de suas mãos estendidas, como se quisesse me pegar. Estava sem saída. Não podia chamar meus Pokémon porque estavam feridos. O Walktalk não funcionava, Thorton não estava por perto para me ajudar e eu duvidava muito que eu estivesse em condições de levantar e sair correndo. Acabei por fechar os olhos e esperar o pior.
- Pulso das Trevas – Ouvi alguém dizer e segundos depois tive coragem de abrir os olhos e me deparar com uma espécie de gato preto na minha frente e com o fantasma em uma distancia segura.
Percebi que era Thorton quando se ajoelhou ao meu lado com uma mão em meu ombro me perguntando se estava bem. Não respondi por que ainda estava em choque com tudo aquilo, apenas encarei o fantasma que parecia perceber o perigo de ficar ali e começara e desaparecer pouco a pouco, mas pude perceber seu olhar... Triste... Como se pedisse ajuda.
Foi sumindo até que não havia mais nenhum rastro seu.
- Que coisa mais esquisita – Comentou o garoto ao meu lado que agora tentava me levantar – Ele já foi embora, pode levantar agora.
- Não... Consigo – Comentei quase sem voz enquanto o gato preto, que eu presumia ser de Thorton, me cheirava como se verificasse se estava tudo bem.
- Certo – Ele disse pegando outra pokebola e libertando outro Pokémon.
Ele era uma espécie de disco com dois olhos vermelhos e dois braços saindo do que devia ser sua cabeça, os dedos eram três coisas pontiagudas e no meio de seu rosto havia um chifre, sua cor era azul, mas seus detalhes eram de cor cinza. Estranhei muito sua forma, mas não deixava de ser um bonitinho. Ele flutuava no ar já que não possuía pernas.
- Preciso de ajuda aqui Metang – Pediu Thorton me pegando no colo e colocando-me na cabeça daquele Pokémon – Consegue carregá-la?
Ele pareceu concordar já que começou a se mover sem nenhuma dificuldade, o que me aliviou um pouco saber que eu não era tão gorda quanto achava. Meu companheiro parecia estar consertando o Walktalk já que mexia nele com o kit que Roark havia nos dado, como se soubesse o que estava fazendo.
- Ob... Obrigada – Agradeci a Thorton com a voz já recuperada e me inclinei um pouco para frente encarando o tal Metang – E a você também Metang.
Ele soltou um estranho barulho como se estivesse dizendo um “de nada”. Sorri e olhei novamente para frente, mas encarei o garoto ao meu lado que parecia ter consertado o pequeno aparelho já que eu o ouvia ele falando com Roark. Alguns minutos depois encontrei o líder nos esperando na entrada da caverna com um rosto preocupado.
Perguntou se estava bem com nós dois e Thorton respondeu que sim, só que precisávamos descansar um pouco no centro Pokémon. Quando chegamos lá, sai de cima de Metang e agradeci mais uma vez antes dele voltar para a pokebola. Eu e Roark deixamos nossos Pokémon com a enfermeira Joy e nos juntamos a Thorton que estava sentado em algumas cadeiras.
- O que houve? – Perguntou Roark para mim, quase desesperado.
- Vi o fantasma que me falou – Comentei meio trêmula – Foi assustador!
- Havia alguma máquina em volta ou algo que explicasse a existência da figura? – Neguei a cabeça fazendo Roark retirar o capacete vermelho e soltar um suspiro cansado – Céus, o que esta acontecendo?
- Ainda não sabemos, só que o que esta desencadeando o aparecimento destes Pokémon não é nenhuma brincadeira.
- Então os fantasmas são reais, mas não podemos fazer nada a respeito? – Perguntei á Thorton como se fosse louco – Tem de ter alguém por trás disso mexendo em algum tipo de equilíbrio.
- Não podemos tirar conclusões precipitadas levando em conta que ainda não sabemos de nada - Rebateu virando seu rosto para o lado - Outra coisa esquisita é que os ataques obscuros conseguem repeli-los, por alguma razão aquele Geodude teve medo do Pulso das Trevas de meu Umbreon.
- É verdade, mas antes de desaparecer, notei que ele tinha uma expressão triste, como se estivesse pedindo ajuda, sabe?
- Acho melhor você descansar um pouco Alice, toda esta história deve ter te assustado ou coisa parecida – Comentou Roark colocando o chapéu.
- Eu sei o que vi! – Insisti irritada, agora seria tachada de louca!
- E eu não duvido disso, mas já é tarde e você passou por um momento traumático além de uma batalha de ginásio, deve estar exausta! – Explicou afagando minha cabeça – Não duvido do que viu, alias, pode me ajudar na investigação!
Sorri, feliz por ter sido levada á sério. Logo depois, despedi-me de Roark e pedi um quarto para a enfermeira Joy, além de um pouco de comida Pokémon para meu Togepi. Ela me entregou uma tigela de comida junto com uma chave. Andei por um corredor ao lado do balcão da enfermeira e, depois de um tempo, encontrei meu quarto e entrei nele.
Tirei Togepi da pokebola e fiquei o observando comer sua comida, depois o peguei no colo e apaguei a luz indo até a minha cama e deitando nela. Só então me dei conta que não havia ligado para meu pai como havia prometido a mim mesma, mas era melhor assim: quanto menos ele soubesse no que eu estava começando a me envolver, menos preocupado ele ficaria. Aquela história de fantasmas estava começando a parecer um terrível pesadelo no qual eu implorava para acordar.
Fui pouco a pouco caindo no sono assim como meu Pokémon. Mal sabia eu que já estava envolvida em muita coisa além daqueles problemas com fantasmas. Suspirei cansada... Meu pesadelo mal havia começado.
Continua...
Bom, é aqui em que a história começa a esquentar crianças! Alguns podem ter ficado desapontados com o modo da Alice ganhar sua primeira insígnia, mas é a vida. Para mim, um treinador não é medido por sua força, mas sim por seus atos e seu amor por seus Pokémon.
Assim, me despeço de vocês! Até o próximo capítulo!
Beijos...
Alice

Gabijonko
- Mensagens: 5
Data de inscrição: 20/02/2010
Idade: 19
Localização: Em algum lugar do planeta
Re: [+12] Latrone
Ah eu gostei .
Ela teria que ser muito insensível pra usar o Togepi daquele modo.
cada vez mais curioso com a sua fic haha.
Parabéns aê
Até õ/
Mr. Evil
Ela teria que ser muito insensível pra usar o Togepi daquele modo.
cada vez mais curioso com a sua fic haha.
Parabéns aê
Até õ/
Mr. Evil

Mr. Evil
- Mensagens: 1017
Data de inscrição: 04/08/2010
Idade: 17
Localização: Grajaú, Rio de Janeiro, RJ
Re: [+12] Latrone
Sua fic está cada vez melhor, mas tome cuidado com alguns erros de digitação e concordância.
Seria "seguíssemos" acho.
Espero muitas reviravoltas na história. Você tem um ritmo muito bom de manter a história, leve e gostoso, sabe mesmo escrever. Conitnue assim!
O líder do ginásio retornou com o enorme Rampardos para a pokébola e pediu para que nós o seguisse para fora do ginásio
Seria "seguíssemos" acho.
Espero muitas reviravoltas na história. Você tem um ritmo muito bom de manter a história, leve e gostoso, sabe mesmo escrever. Conitnue assim!

Mr. Mudkip
- Mensagens: 340
Data de inscrição: 09/01/2011
Idade: 22
Localização: Minas Gerais
Re: [+12] Latrone
20 dias de inatividade. Tópico trancado ;3
Trio em ação :3 Congratz.


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